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  • Henrique Correia

Marçal Grilo toca na "ferida": "Uma pessoa que tem medo não é uma pessoa livre"

"O medo é um factor que muitos políticos e partidos utilizam, de uma forma falsa, para que as pessoas fiquem mais condicionadas".


O antigo ministro da Educação Marçal Grilo fez declarações, à RTP, num contexto de apresentação do livro "Não tenham medo do futuro". Foram declarações verdadeiramente importantes no contexto em que vivemos, um contexto de medo, onde a ansiedade percorre cada cidadão, na sua vida do dia a dia, designadamente neste momento em que muitas famílias estão a colocar os filhos nas universidades. O livro incide sobre a juventude, a expetativa, a imprevisibilidade.

Não tenham medo, mas tendo medo, é mais ou menos esta a tónica do discurso do ex-governante, numa lógica de incerteza que os jovens estão e vão continuar a enfrentar quando confrontados com os novos tempos e o futuro do mercado de emprego.

Nesta entrevista, Marçal Grilo lança várias questões, que ao contrário do título do livro, transformam-se num outro título mais adaptado: "Tenham medo do futuro". Prevê que os jovens vão enfrentar muitas dificuldades e desafios que não somos capazes de desenhar. Deixa as seguintes perguntas: "Quais os setores que vão desaparecer? Quais os que vão florescer? Vão ter uma profissão fixa? Vão ter mais do que um emprego na vida? Vão , deslocar-se muito, em Portugal ou no estrangeiro? Vão exercer a profissão em teletrabalho?

Diz que o medo é uma forma de condicionar a atuação das pessoas. Uma pessoa que tem medo não é uma pessoa livre, fica condicionada, fica com um espartilho. O medo é um factor que muitos políticos e partidos utilizam, de uma forma falsa, para que as pessoas fiquem mais condicionadas. A palavra medo é forte, é mais do que receio. Mas o facto de dizermos que temos medo, pode também funcionar ao contrário, pode provocar reação por parte das pessoas no sentido de enfrentar esse medo com a tranquilidade, até porque não podemos enfrentar o futuro com ansiedade".

Considera que a entrada de muitos alunos nas universidades "é sempre uma boa notícia, precisamos de mais gente qualificada" e fala na existência de alunos, com médias de 19 valores e que não entram nos cursos pretendidos, como Engenharia Aeroespacial, Física Tecnológica, Engenharia Gestão Industrial e Bioengenharia, que tiveram médias de ingresso superiores a 19.


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