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  • Henrique Correia

"Marcelo, amigo, o aval à Madeira é com o Governo da República

O Presidente da República revelou ao Presidente do Governo Regional que o Governo da República aprovou o aval ao empréstimo a ser contraído pela Região. Ainda bem para a Madeira, mas não devia ser Costa a anunciar? Ou o ministro das Finanças.


Miguel Albuquerque já deve ter feito as pazes com Marcelo. Marcelo já não é tão mau e Albuquerque, se calhar, daqui a uns dias, desiste da ideia de se candidatar a Belém, uma vez que um dos pressupostos dessa intenção era precisamente saber se os candidatos à presidência da República têm ou não posições de defesa da Madeira. E pelos vistos, Marcelo tem. Mesmo "cumprimentando com o chapéu alheio", como diz a expressão popular, que quer dizer, neste caso, revelou ao presidente do Governo Regional que o Governo da República deu aval à Madeira para o empréstimo de 458 milhões. Precisamente o que a Madeira estava à espera há que tempos. Podia ouvir da boca de Costa, mas ouviu da boca de Marcelo. Sabe melhor do ponto de vista político, sobretudo para Marcelo.

Mas é engraçado, para ficarmos por uma expressão suave, esta dialética política em Portugal. Ontem, depois do Conselho de Estado, Marcelo e Albuquerque sentaram-se a pedido daquele. Obrigatoriamente, a tensão, que subiu de tom nos últimos tempos, devia ser quebrada, não interessava a ninguém. E entre outros assuntos, veio a garantia, do Presidente da República, que o Governo de António Costa ia dar o aval ao empréstimo da Região. Era preciso, aqui está. Marcelo fez de governo e demonstrou que, afinal, não é bem como se dizia na Madeira, exerceu mesmo a magistratura de influência, inerente ao cargo máximo da República.

E claro que era o momento de mandar isto para os jornais, como de costume. Tratado como uma notícia qualquer, sem cuidados de Estado, sem informação oficial da presidência do Governo Regional, como deveria ocorrer em sentido de Estado e em respeito pelos madeirenses. Há notícias e notícias, sabemos bem como funcionam estes expedientes, mas neste caso, pelo assunto, não pode ser tratado como uma linha de apoio que vai para os jornais e só depois é que é discutida no plenário de governo ou na Assembleia. É diferente. E alguém, com sentido de Estado, neste caso de Região, devia ver isso.

Claro que, além disso, Marcelo sabe que não está nas suas atribuições dar a val ao que quer que seja do ponto de vista das competências de outros orgãos, neste caso o Governo da República. Claro que quem devia dar conhecimento à Madeira do aval era o primeior-ministro ao Presidente do Governo ou, numa outra escala, se quisessem, o ministro das Finanças ao vice presidente do Governo Regional. Agora, o Chefe de Estado ao presidente do Governo, é bom saber que há aval, mas do ponto de vista institucional, não devia ser assim. De todo.

Mas em síntese: é bom para Marcelo, que faz aproximação a Miguel Albuquerque; é bom para Albuquerque, que "foge" a Costa e sai de certa forma vitorioso com a pressão junto do Chefe de Estado. É bom para Costa, que "foge" a Albuquerque e, ao mesmo, tempo, fica bem perante Marcelo. As presidenciais já são em janeiro.


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