Marcelo faz aviso público a ministra para execução do PRR; o que sabe Marcelo?
- Henrique Correia

- 6 de nov. de 2022
- 2 min de leitura
"Verdadeiramente super infeliz para si será o dia em que eu descubra que a taxa de execução dos fundos europeus não é aquela que deve ser. Nesse caso, eu não lhe perdoo".

Ana Abrunhosa, a Ministra da Coesão Territorial, que tem rejeitado incompatibilidades entre as funções que ocupa e os 133 mil euros de apoios que chegaram à empresa do marido, que tem um sócio condenado antes da criação da empresa, ouviu esta sexta-feira um "aviso" público e duro por parte do Presidente da República, relativamente aos níveis de execução do Planos de Recuperação e Resiliência. Foi no meio de uma ação pública em Trofa.
Marcelo é frontal, mas assim fica difícil encontrar alguma situação com este caráter de "dedo em riste". O Presidente olhou para a ministra, que estava na plateia, e disse:
"Verdadeiramente super infeliz para si será o dia em que eu descubra que a taxa de execução dos fundos europeus não é aquela que deve ser. Nesse caso, eu não lhe perdoo, não lhe perdoo, e há milhares de testemunhas daquilo que lhe estou a dizer hoje. Espero que esse dia nunca chegue, mas estarei atento para o caso desse dia chegar...Quando aceitamos funções políticas, é para o bem e para o mal, não somos obrigados a aceitar., há dias bons e dias maus".
Pouco depois, o Presidente esclareceu que se referia ao PRR, não a todos os fundos. A ministra respondeu com dificuldade: a preocupação do Presidente é a mesma do Governo.
Mas estas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, aparentemente excessivas na forma e no conteúdo, por ser dificil encontrar "aperto" parecido nos últimos tempos, pode ter algumas leituras mais amplas. A primeira, quase certa, é que Marcelo sabe que os níveis de execução do PRR estão baixos para o que deveria ser. Parece-me claro, caso contrário não havia este "afrontamento". Depois, é um aviso à ministra mas para "atingir" o Governo naquilo que toca ao futuro. Marcelo não pode demitir ministros, mas pode demitir governos, através da chamada "bomba atómica", a dissolução do Parlamento, como há anos Sampaio fez a Santana Lopes.
Marcelo sabe mais do que diz. E certamente sabe que executar é coisa que Portugal tem dificuldade.



Comentários