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  • Henrique Correia

Marcelo não veio almoçar mas levou com "digestivo" no dia da posse


O "digestivo" significa uma crítica forte do chefe de gabinete de Miguel Albuquerque, que não só não espera nada dos cinco anos de Marcelo, como diz que é o garante do centralismo



Não é segredo para ninguém que Miguel Albuquerque queria muito almoçar com o Presidente da República no dia em que o Chefe de Estado vinha quatro horas e meia à Região para visita às Regiões Autónomas antes da posse. Não deu para vir, uma vez mais pelos condicionalismos do Aeroporto quando o tempo fica tão agreste como algumas relações politicas. Como estas, o tempo também tem dias para o Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo.

Albuquerque apostava muito neste almoço. O contexto era outro, há sempre a esperança de mudar qualquer coisa no início de um novo mandato, e o presidente do Governo Regional tinha mandado para trás das costas aquelas divergências que pareciam tão insanáveis que nem daqui a cinco anos poderia haver um chá que fosse com um Presidente "feito" com um primeiro-ministro socialista, logo conivente com a asfixia que a Madeira considera estar a ser sujeita perante o silêncio de Marcelo.

Mas não, parecia tudo resolvido, até fácil de resolver, e Albuquerque empenhou-se para trazer à mesa, além da gastronomia, os temas quentes para Marcelo exercer a magistratura de influência em Lisboa. Tudo muito cordato, tudo para ser um recomeço, uma nova era de relações com Marcelo. Só que o almoço foi adiado e não se sabe quando será possível essa aproximação.

Acontece que, se por um lado, essa "reconciliação" foi adiada, mas não cancelada, julgamos, há um dado novo, em sentido contrário, resultante de um escrito, na colaboração regular com o Diário, por parte do Medeiros Gaspar, que é, nem mais nem menos, do que o chefe de gabinete de Miguel Albuquerque, uma ligação tida em conta por muito que escreva a título pessoal.

Escreve Medeiros Gaspar que não espera nada de Marcelo. "Ou melhor...espero tudo igual". Mais isto: "Para a Madeira e para as Autonomias, espero marasmo, estagnação, indiferença e puro silêncio, como de costume...Num país cada vez mais centralista, o Presidente da República tem sido o garante desse mesmo centralismo. Atentemos na forna como enterrou a Regionalização".

Medeiros Gaspar deixa outra mensagem nada "meiga" para Marcelo: "Serão cinco anos perdidos por aqueles que acreditam, como eu, numa Autonomia mais aprofundada, numa Madeira que possa seguir opções de desenvolvimento diferentes, que ajudem à convergência com a União Europeia e não ao marasmo nacional".

O chefe de gabinete de Albuquerque escreve, também, que Marcelo criou uma espécie de "fiscais do Governo" para acompanhar o que acontece aos dinheiros de Bruxelas, deixando a ideia que este procedimento é um "desconcertante sinal", relativamente à forma como antevê o desempenho do Governo de António Costa.

Depois deste " digestivo" de um almoço adiado, Marcelo pode muito bem dispensar, pelo menos nos próximos tempos, uma almoçarada daquelas na Quinta Vigia. Primeiro, vai digerir esta...


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