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  • Henrique Correia

Marcelo vem à Madeira com um contencioso que tem dias...


Marcelo não pode fugir, sempre, à influência que as componentes partidária e eleitoralista têm no universo da governação regional versus oposição, bem como entre a Região e a República.


Prosseguem os preparativos para o 10 de junho. Marcelo Rebelo de Sousa chega esta segunda-feira à noite.



Faz parte da história do relacionamento Região/República este quase permanente contencioso, que já se chamou das Autonomias, que coloca ao serviço, dos dois governos, o de cá e o de lá, um instrumento de defesa e de desculpa sempre que qualquer coisa corre mal. O contencioso existiu, existe, na mesma forma de linguagem forte, por vezes agressiva, mas com outras envolvências que têm muito a ver com os contextos em que vivemos, neste caso presente, das eleições autárquicas, sem dúvida com o ponto nuclear de estar em jogo a recuperação de Câmaras por parte do PSD-Madeira, ou a confirmação de mudança já dada no Poder Local há algum tempo, através do PS e do JPP.

O contencioso, este ano, é sobretudo entre partidos. E metem a Autonomia pelo meio como arma de arremesso para acusações de incumprimentos, transpondo para o institucional o debate partidarizado. Não há inocentes e culpados só de um lado. É preciso entender isto.

É este o clima que o Presidente da República vem encontrar nas comemorações do 10 de junho, certamente cordatas do ponto de vista institucional, mas claramenre de tensão latente e de gestão difícil do ponto de vista partidário onde Marcelo não vai querer entrar com o argumento de sentido de Estado e de um valor superior em causa neste contexto comemorativo: Portugal, Camões e as Comunidades. Partidos à parte.

Mas Marcelo não pode fugir, sempre, à influência que as componentes partidária e eleitoralista têm no universo da governação regional versus oposição, bem como entre a Região e a República. O Chefe de Estado não pode ignorar, mesmo que não seja através do discurso do 10 de junho, os contornos da deslocação de António Costa à Madeira, caracterizada, e de que maneira, pelas eleições autárquicas. O PS Madeira "passeou" Costa pelo Funchal e pela Ponta do Sol, e nem PSD nem CDS evitaram transparecer algum nervosismo político, desdobrando-se em reações, na plena consciência que António Costa estaria na Madeira investido de uma missão partidária, mas sendo primeiro-ministro para ouvir e ler os recados, sobre o financiamento do Hospital, sobre o ferry, sobre a falta de apoio na pandemia, sobre questões que vão dando corpo a este desentendimento que normalmente toma proporções maiores em período de edições, como é o caso.

Mais do que o contencioso autonómico, Marcelo vai encontrar um contencioso marcadamente partidário, que tem sido a chamada mola impulsionadora das grandes questões, das reivindicações do PSD-Madeira, agora governo com o CDS, e simultaneamente um pouco de tentativa de se chegar à frente por parte do PS Madeira, procurando tirar partido de ser governo na República e, com isso, poder capitalizar mais valia para a Região. E quando vem Costa, é um pouco o tudo por tudo, se possível antecipando decisões que o próprio António Costa terá dificuldade em cumprir, como tem sido esta novela do ferry de ligação ao continente. E foi por isso que Paulo Cafôfo, em 2019, arriscou na antecipação do anúncio do ferry, era um tema bom e uma altura boa para tirar duvidendos, apressou-se em dar a manchete aos jornais, sendo que acabou por ver Costa "tirar o tapete" em função de um incumprimento, até hoje. E Cafôfo não ficou propriamente bem na "fotografia", não se resguardou convenientemente, mesmo que tenha a apontar, ao PSD Madeira, a circunstância de ter assegurado, pontualmente no Orçamento da Região, um ferry com segundas intenções, de novo eleitorais.

É este o clima que Marcelo vai encontrar, que não é novo para um Chefe de Estado que conhece a realidade regional e que tem procurado passar "entre os pingos da chuva". Mas que também deve ter ficado intrigado, como certamente muita gente ficou, quando recentemente o vice presidente do Governo, candidato da coligação ao Funchal, veio afirmar que "o trabalho que tem sido feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais tem sido de uma grande elevação”, referindo-se às negociações sobre o CINM.

No fundo, este é um contencioso que tem dias...


Estas imagens "correm" nas redes sociais, com um aspeto comum, a utilização dos jornais para o protagonismo de um tema popular. Em tempos diferentes, todos iguais. Pode não dar credibilidade, mas se der uns votos chega. Até ver...




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