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  • Henrique Correia

Maurício Melim mostra o que não está controlado: contagiam-se nas veredas e continuam a socializar


O coordenador disse que é difícil baixar as restrições, disse que há pessoas que não estão a respeitar, socializam junto às casas, entre vizinhos, em veredas, contagiam-se e continuam a socializar



O coordenador da unidade de emergência em Saúde Pública, na Madeira, defende que as medidas restritivas, atualmente em vigor na Região, devem ir além do dia 21 de fevereiro. O que até nem é de estranhar, atendendo a que não há uma descida tão considerável de casos como poderia ser esperado em função deste confinamento parcial.

Maurício Melim acabou por dar uma explicação, que ainda ninguém tinha dado para o facto de mantermos uma média diária de casos que deve andar perto da centena, além dos 62 mortos já contabilizados e um índice de transmissibilidade acima de um, segundo revelou há dias o Instituto Dr. Ricardo Jorge. Nessa avaliação, o RT estava em 1.13 e a Madeira era mesmo a Região com o rácio maior. Ao contrário do que tem sido o discurso político dominante, de uma situação controlada, o de Maurício Melim tocou em aspetos que, afinal, mostram que a situação não está tão controlada, pelo menos na dimensão que se esperava, está identificada, é verdade, o que é diferente de controlada. Será preciso uma intervenção mais apertada onde é preciso.

O coordenador disse que é difícil baixar as restrições, disse que há pessoas que não estão a respeitar, socializam junto às casas, vizinhos, em veredas, contagiam-se e continuam a socializar, as casas estão sobrelotadas, diz o experiente médico de saúde pública, não escondendo que esta realidade é um obstáculo à obtenção de melhores resultados. Realmente, se assim é, mandar ficar em casa ainda é pior. Uma situação problemática, sanitária mas muito social, para atenção de outro departamento do Governo.

Maurício Melim disse, ainda, que as escolas deviam ter pelo menos uma semana presencial, devido a socialização. Não se sabe há quanto tempo o Dr. Maurício pensa isto da estratégia para as escolas da Região, mas se já pensava isso quando o Presidente do Governo anunciou as medidas, mandando os mais novos para a escola e os mais velhos para casa, a sua opinião não foi tida em conta, atendendo a que, como se sabe, ou se julga saber, as decisões políticas têm por base o aconselhamento técnico, neste caso dos intervenientes na Autoridade de Saúde.

Mas, para já, fica retida esta ideia: e preciso intervir nos becos e nas veredas, nos convívios da vizinhança, e falar grosso com os incumpridores. Não é só os bares. Depois disso, então sim, está tudo controlado.

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