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  • Henrique Correia

Menezes de Oliveira "mobiliza" PS-M com promessa de "limpeza geral"


Esta promessa de "vassourada" nos derrotados pode ser perigosa para um partido onde não faltam derrotados nem que fosse uma vez.



Menezes de Oliveira quer afastar o grupo de elite do partido e os protagonistas derrotados.


O PS Madeira vive, na realidade, um dos momentos mais sensíveis da sua história. E, por consequência, a Região, fruto da bipolarização ocorrida tanto nas últimas legislativas regionais, como na Câmara do Funchal, passou a um enquadramento quase de "partido único", porque os pequenos partidos desapareceram e o derrotado entrou em colapso interno. Daí o PSD fazer passar nos jornais aquela planificação de governo até 2039, o que só é possível num contexto em que vive a política madeirense e tudas as especificidades que a envolvem.

O PS-M está em crise. Foi sempre derrotado em Regionais e as suas lideranças falharam objetivos, todas, mesmo a de Paulo Cafôfo, que protagonizou o momento mais próximo do Governo que alguma vez o partido alcançou, com uma mobilização como nunca se viu, mas falhou. Perdeu fôlego e o desgaste de fazer mobilizar o partido estando na oposição acontecer, além de uma certa inabilidade de ckngregar o equilíbrio interno. E voltou a falhar na Coligação à Câmara do Funchal, demitindo-se numa atitude digna para permitir alternativa melhor.

E lá volta o PS ao ponto de partida. Para já, com um candidato assumido, Filipe Menezes de Oliveira depois de Carlos Pereira ter "esboçado" uma tentativa de vir a ser candidato. E ainda pode ser. Mas o que faz Menezes de Oliveira, hoje, num artigo publicado no Diário de Notícias? Faz isto: derrotados para a rua, mas pela firma como escreve parece até para a rua do partido, nem é só dos cargos, protagonistas novos, o que é normal, mas com um enquadramento de "limpeza" que deixa uma dúvida legítima: se for para afastar, como diz, os derrotados das últimas eleições, onde por acaso se situou a maior mobilização no PS-M, onde vai Menezes de Oliveira recrutar quadros? Se for para afastar derrotados no PS, fica difícil fazer equipa. Só mesmo recorrendo às Câmaras da Ponta do Sol, Machico e Porto Moniz.

O candidato assumido foi claro: o grupo de elite, referindo-se a Cafôfo, Iglesias e companhia, tomou conta do partido, sendo que o povo rejeitou essa proposta, diz mesmo que alguns deputados do PS-M já deveriam ter renunciado. Por isso, Menezes de Oliveira garante que assim que se estabeleça como líder, todos esses derrotados da política serão obviamente convidados a abdicar e substituídos por outros, sublinhando que "o povo anseia por mudança", se bem que o povo, na perspetiva de mudança de Menezes de Oliveira, não mostrou esse anseio nas últimas autárquicas, relativamente ao poder regional/câmaras.

Compreende-se o entusiasmo de Menezes de Oliveira, mas talvez não fosse má ideia começar por apresentar projetos, definir objetivos, tocar a reunir, criticar o que fosse para criticar, em primeiro lugar. Esta promessa de "vassourada" nos derrotados pode ser perigosa para um partido onde não faltam derrotados nem que fosse uma vez.




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