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  • Henrique Correia

Miguel Gouveia "chama" Jardim para comissão da "Capital da Cultura"


Jardim "explica-se": "Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal está ciente de que nenhum de nós mudou de opções político-partidárias. Mas na actual fase da Madeira, é tempo de um esforço insistente para cada situação concreta".




A "culpa" é do "êxito da Revolução Tranquila", que levou Alberto João Jardim a aceitar o convite do presidente da Câmara Municipal do Funchal "para integrar uma Comissão Consultiva dos trabalhos que visam obter algo que está acima das diferenças partidárias, o Funchal ser a Capital Europeia da Cultura 2027, tal como a Madeira foi a Região Europeia 2004".

Para muitos, poderá ser surpreendente. Mas como se sabe, Jardim está sempre a surpreender. Como de resto, também Miguel Gouveia, com um convite que vai deixar Jardim com a "partidarite" de lado durante algum tempo, a tempo das autárquicas. E pode até causar algum embaraço ao PSD e a Pedro Calado.

Mas o antigo presidente do Governo justifica em artigo no JM: "A Revolução Tranquila solidificou com êxito, obriga-nos a menos afrontamentos internos, necessários noutros tempos. Para, agora, ser ocasião de conjugarmos esforços contra os principais problemas que nos comprometem o futuro, e cuja resolução a nosso contento depende de centros de decisão exteriores ao arquipélago. Eis a razão porque aceitei".

Jardim justifica-se: "Sem qualquer hipocrisia, todos sabemos onde cada um se situa politicamente e em quem vota. Mas ao Funchal, Cidade onde começou a Expansão e a Globalização da Renascença europeia pelo Atlântico, a Europa deve tal reconhecimento. Até para que a Europa não caia no ridículo de limitar a Cultura ao espaço continental ou ao umbigo das metrópoles centrais. Até porque o reconhecimento das Ultraperiferias, que se conseguiu inserir nos Tratados europeus, não pode ser coisa vã. Até porque a riqueza do nosso Património material e imaterial de séculos, a riqueza das iniciativas constantes, das Instituições e das infraestruturas que a Cultura tem entre nós, traduz-se em algo incontestável: trata-se, numa população de pouco mais de cem mil habitantes, de índices percentuais dos mais altos, no território europeu, quanto ao exercício da cidadania ao âmbito da Cultura". Acrescenta Jardim que "o Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal está ciente de que nenhum de nós mudou de opções político-partidárias. Mas na actual fase da Madeira, é tempo de um esforço insistente para cada situação concreta ser avaliada desapaixonadamente, na óptica do mais importante para o Povo Madeirense. A Revolução Tranquila trouxe uma maturidade cívica à população do arquipélago, bastante para sabermos procurar o compromisso democrático acima da partidarite".


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