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  • Henrique Correia

Mulheres de todos os dias


Não faz mal haver um Dia da Mulher, mesmo que seja muito comercial. Depende de cada um e da forma de avaliação. Mas é muito importante atuar sobre os problemas



A sociedade dita civilizada, de um país dito democrático, moderno, evoluído, devia corar de vergonha por tudo o que não foi feito e por tudo o que falta fazer para resolver todos os problemas que, infelizmente, ainda hoje persistem, relacionados com a Mulher, na generalidade dos casos, com exceções que não servem para escamotear a questão de fundo. Para falar de alguns, a discriminação no mundo do trabalho, a vários níveis, a violência doméstica, que não sendo exclusiva na mulher, é larga e maioritariamente feminina, a diferença nas remunerações, a predominância de responsabilidade nas atividades caseiras, além do exercício da atividade profissional, o papel maternal, entre outras situações de infindável funcionalidade naquilo que é o contexto familiar e os equilíbrios correspondentes.

De todas as questões, que devem ser alvo de debate, todos os dias, mas mais importante, devem ter consequências práticas em termos legislativos para aplicação nas diferentes vertentes, desde a laboral à judicial, adequadas à dimensão do problema, a que se prende com a violência doméstica é aquela verdadeiramente preocupante. Porque morrem, efetivamente, umas vezes, porque vão morrendo lentamente, como lentamente é a acelerada coação psicológica exercida em muitos casos.

Todos os anos há dia da Mulher, todos os anos há debates sobre a violência doméstica e todos os anos morrem mulheres, que antes são perseguidas, têm queixas nas polícias, têm alertas constantes e o sistema judicial, ele próprio ultrapassado, encarrega-se de dar condições para um agravamento da situação, tantas vezes com a conivência das autoridades e tantas vezes com decisões plasmadas em acórdãos que retratam o estatuto do masculino sobre a falta dele no feminino.

É importante que a sociedade possa debater. Não faz mal haver um Dia da Mulher, mesmo que seja muito comercial. Depende de cada um e da forma de avaliação. Mas é muito importante atuar sobre os problemas, porque isso sim, significa, para muitas mulheres, mais dias de uma vivência digna no lugar que merecem nesta sociedade que todos queremos mais equilibrada, mas fazemos muito pouco por isso.

É preciso termos esperança. Sempre. Mesmo com todos os estudos que vão no sentido da normalização da violência no namoro, da forma como as jovens mulheres menorizam o seu próprio estatuto no contexto da relação. O que não é bom para esse futuro.

Enquanto a mulher tiver dias, a luta continua...


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