Não diz quando sai para não abrir guerra no PSD-M
- Henrique Correia

- 1 de abr.
- 2 min de leitura
Atrito com Montenegro pode esbater: "É preciso haver uma atitude política de bom-senso para haver uma reconciliação entre o Governo". Se assim for, pode ser que venha ao Chão da Lagoa.

O presidente do Governo Regional não esconde o atrito com a República. Não é tão direto e contundente como seria Jardim neste polémico dossier da Mobilidade, mas não teve outro "remédio" que não fosse deixar claro, ao eleitorado, que primeiro está a Madeira e só depois o partido e Montenegro, o líder e primeiro-ministro que Albuquerque apoiou.
Foi numa entrevista à Antena 1, agora RTP Antena1, mesmo sendo radio o nome privilegia RTP, que Albuquerque falou de Luís Montenegro, sobre a possibilidade de vir à Festa do PSD no Chão da Lagoa, como aconteceu em 2025. Este ano é diferente, a Mobilidade afastou mais do que uniu, mas em política, bem sabemos, basta uma prova de boa vontade para a memória ficar no baú. É o que espera Albuquerque, e disse-o no programa "Política com Assinatura", antes de se saber que as alterações à Mobilidade foram aprovadas e um dos votos foi da deputada social democrata madeirense Vânia Jesus, a única parlamentar madeirense na Comissão.
"A questão não é convidar... quais são as condições políticas que existem neste momento para ter o primeiro-ministro aqui?”.
“O madeirense e o portosantense não gostam de ser ludibriados, não gostam de ser discriminados”. É preciso haver uma atitude política de bom-senso para haver uma reconciliação entre o Governo nacional e o povo da Madeira", disse o líder do governo da Região.
Albuquerque acusa o Estado de excesso de burocracia, de autofagia burocrática, de serviço a si próprio e não para as necessidades das populações, e assim se explica a "trapalhada" e os "tiros nos pés" deste Subsídio de Mobilidade, "um processo mal conduzido".
Albuquerque diz que Montenegro foi "enredado" neste processo, talvez pelas Finanças, não esclarece se pelo ministro Miranda Sarmento, com uma visão mais tecnocrática do que política. Com Montenegro e a reconciliação, diz "vamos ver", mas parece ter vontade de se reconciliar com o primeiro-ministro. Sendo do mesmo partido, as divergências deveriam ser de solução mais rápida, mas Albuquerque diz ter sido surpreendido com a atitude do Governo e sobretudo com declarações de Hugo Soares, o líder parlamentar, em contraciclo com a matriz do PSD, partido fundador das Autonomias.
Sobre o futuro, Miguel Albuquerque não diz quando sai. Não quer abrir uma "guerra de personalidades" dentro do PSD-M, que é mais do que um partido para a Região e não pode ser colocado em risco pela decisão. Não tem delfins, diz que não cultivou isso no PSD-M, não tem aspirações nacionais, quer deixar um legado que dê futuro à Madeira.
Onde se vê daqui a cinco anos? "Ou estou no Governo ou estou noutro lugar qualquer. Não sei, não lhe posso dizer".



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