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  • Henrique Correia

Não há violência nos jovens, não há assaltos, não há pedofilia...



Cuidado que a defesa das aparências pode resultar em desprestígio por omissão e por falta de prevenção. Vergonha não é ter o problema, vergonha pode ser não atuar perante o problema.




Não percebi aquilo que as pessoas ainda não perceberam sobre algumas situações que essas mesmas pessoas julgam que perceberam, mas foi só impressão. Talvez fazendo um desenho. Não há violência entre jovens, são coisas próprias da idade, responderam alguns pais aos polícias que levaram a casa os filhos alcoolizados. Tem uns dois anos que isto aconteceu, mas hoje é igual, nada mudou. São pais mais do mesmo, filhos mais do mesmo e polícia mais da mesma, a que se juntam os tribunais que trabalham com as leis que existem e que por vezes até parece para brincar aos polícias e ladrões.

Nem a brandura de alguns pais, nem a agressividade de alguns filhos, nem a falta de punição generalizada de ocorrências que por isso as pessoas até julgam não ter acontecido, nada mudou, tal como antes, tudo igual, ou seja nada acontece.

Mas também não temos assaltos, é coisa pouca de relatos que dão conta de incidentes destes, mas ninguém morreu e com o azar da crise, nem levam grande coisa porque os madeirenses estão a levantar pouco de cada vez para ver se aguentam umas duas horas sem mexer na conta. Também mal somos incomodados por pessoas que deambulam pela cidade, uns aos gritos, outros insistindo na pedincha e ao contrário de outrora, tem vezes que já insultam quem não dá, o que antes só se via em Lisboa.

Também não temos pedófilos, históricamente os casos de dúvida e suscetíveis de investigação ficaram pela primeira parte, a dúvida, quer na Igreja, quer na Sociedade Civil. Os miúdos inventam cada coisa que não lembra ao Diabo e confundem gestos, diz-se à boca cheia para proteger, nuns casos a imagem da Paróquia, na hipocrisia das aparências e não na procura da verdade, noutros casos na preservação da imagem de instituições públicas, que afirmam cumprir a lei mesmo que estejam a decorrer investigações das autoridades policiais e mesmo que haja alarme social que exige prevenção de quem tem responsabilidades públicas, que se por um lado não podem condenar antecipadamente quem quer que seja, por outro têm o dever de proteger moralmente crianças deixadas pelos pais à sua guarda em instituições aparentemente de prestígio, cuja avaliação não se vê apenas pelas componentes técnicas, mas também pelo e exercício da componente humana que nenhuma lei se sobrepõe.

Não podem uma instituição pública, um departamento de fiscalização, um regulador, ter vergonha de nos seus quadros constar alguém sob investigação policial suspeito de abusos de menores, com algumas evidências, por exemplo, do caso envolvendo um docente do Conservatório, que foram relatadas pelo JM e que não deixam de constituir algum peso numa primeira ponderação, que aconselharia a uma ausência da atividade pelo menos até conclusão da investigação policial. Regressar, assim com leveza, é prejudicial para a escola e para o próprio, sempre no princípio da presunção de inocência.

As instituições não se devem deixar levar pelas aparências, face ao medo da vergonha que pode conduzir ao desprestígio. Mas o desprestígio também pode chegar por omissão, por inércia, por falta de prevenção.



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