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  • Henrique Correia

"Não serão circunstâncias acidentais desviantes que vão beliscar as Forças Armadas"


O Representante da República referia-se à investigação sobre a envolvência de militares, em missao da ONU, num caso de suposta corrupção de diamantes. Ireneu deixou uma mensagem de relevo para o papel desempenhado pelas tropas portuguesas na epidemia da Covid-19.




O Representante da República para a Madeira aproveitou a cerimónia junto ao Monumento de homenagem aos combatentes, comemorativa dos aniversários do Dia do Armistício da Grande Guerra, o Fim da Guerra do Ultramar e o Aniversário da Liga dos Combatentes, para relevar o papel determinante das Forças Armadas.

Num contexto em que a instituição passa por um momento de grande vulnerabilidade com o processo relacionado com suspeitas de tráfico de diamantes e droga, por parte de militares em missão na República Centro Africana, integrados nas forças da ONU, Ireneu Barreto não quis passar este ato público sem uma referência ao assunto: "Às nossas Forças Armadas devemos um preito de gratidão pelo modo como cumprem as diversas missões. E não serão circunstâncias acidentais desviantes, que nos entristecem, a ofuscar ou beliscar o alto nível, enaltecido por todos".

Outro facto que nos é próximo, a epidemia da Covid-19, foi também observado pelo Representante da República para lembrar que as Forças Armadas não representam o lado das armas: "Ironicamente, foi o aparecimento de um inimigo tão pequeno quanto perigoso que fez relembrar a muitos que umas Forças Armadas modernas são essenciais, mesmo num contexto de paz. Refiro-me, naturalmente, ao novo coronavirus surgido nos alvores do ano de 2020 e às tarefas essenciais que os nossos militares desempenharam, em coordenação com as autoridades civis, no combate à Covid-19.

Tarefas da mais variada natureza: de organização logística, de apoio e coordenação, de acolhimento de doentes em instalações hospitalares próprias, de suporte à execução do estado de emergência e até de desenvolvimento de um ventilador. Mas todas desempenhadas com um brio e eficiência que são uma fonte de prestígio para as Forças Armadas".

O Representante evocou as tropas que combateram no Ultramar e relevou a aprovação do estatuto do combatente, um documento adaptado à Região, como um passo importante no reconhecimento dos antigos combatentes.

Esta declaração de Ireneu Barreto foi proferida durante a cerimónia comemorativa do aniversário de três acontecimentos que marcaram a história: Dia do Armistício da Grande Guerra, o Fim da Guerra do Ultramar e o Aniversário da Liga dos Combatentes.

Para o Representante "ao assinalarmos o 47.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, temos de sublinhar que não se trata de um episódio distante na história dos nossos 800 anos. Uma guerra que, pelas suas características, deixou cicatrizes bem marcadas naqueles que nela participaram", reforçando que "então mancebos, esses homens fazem ainda hoje parte das nossas vidas. São nossos vizinhos, irmãos, pais ou avós. E o esforço que na sua juventude lhes foi pedido deve agora ser retribuído pela nossa comunidade. Um passo nesse sentido é, certamente, a concretização prática do Estatuto do Antigo Combatente.

Não só pelos direitos de índole mais prática, como a isenção de taxas moderadoras ou a transportes públicos gratuitos.

Mas, acima de tudo, pelo primeiro passo dado no sentido do reconhecimento que merecem aqueles que combateram pela Pátria. É justo que sejamos reconhecidos àqueles que foram chamados a participar no último conflito que nos levou a um verdadeiro ambiente de guerra.

Tal homenagem não se faz apenas nas pedras dos monumentos, mas dando-lhes visibilidade e condições de vida dignas".




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