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  • Henrique Correia

"Não temos "sem-abrigo", mas pessoas doentes jogadas à rua", diz o padre José Luís

"Esta insistente ideia ou joguete dos "sem-abrigo", não ajuda nada nem ninguém, pois até parece servir apenas para encher a boca de políticos"

O padre José Luís Rodrigues, pároco de São Roque, é conhecido pela sua frontalidade opinativa, pelo debate de assuntos considerados sensíveis do ponto de vista da Igreja Católica, mas também de assuntos de caráter social, que em momentos de crise emergem de forma mais visível na sociedade.

Num escrito publicado na sua página do Facebook, o padre José Luís Rodrigues aborda a situação da pobreza dos sem-abrigo, precisamente para contrariar uma tendência que percorre a sociedade.

Diz que "há vários anos que percebi que nós não temos "sem-abrigo", mas pessoas doentes jogadas à rua. Eles são o resultado da péssima instrução da escola, da pobreza material e educacional das familias, da fatalidade do desemprego, da incapacidade e falta de criatividade das entidades públicas, da toxicodependência, da dependência alcoólica, da depressão e da má sorte da vida, dos desequilíbrios psiquiátricos, humanos, espirituais e psicológicos e, por fim, alguns (vou usar o clichê habitual, embora não concorde com ele) gostam deste género de vida... Insistir na ideia que são "sem-abrigo" é um erro, porque basta falar com eles e inteirar-se das suas histórias e contextos familiares para vermos e percebermos as coisas como são".

Por isso, defende, "o que temos na rua são pessoas doentes, que precisam de serem tratadas como tal. De outra forma continuaremos com este problema eternamente. Esta insistente ideia ou joguete dos "sem-abrigo", não ajuda nada nem ninguém, pois até parece servir apenas para encher a boca de políticos e a sobrevivência de muitos que fizeram a sua vida profissional ao abrigo da pobreza. E isto não me alegra, indigna-me".

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