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  • Henrique Correia

"Nos jantares formais quem estabelecia as posições na mesa era só eu"


Jardim ainda a pensar no 10 de junho deste tempo, por comparação com o do "seu" tempo, em 1982, quando mandava para a piscina os "efebos do protocolo" e era ele próprio quem orientava ao género "na terra de Jardim, manda Jardim". Foi assim...




Jardim, igual a si próprio, criticou o protocolo de Estado nas cerimónias do 10 de junho, no fundo não gosta de um protocolo que em sua opinião não releva os principais órgãos da Região, Assembleia e Governo, sobretudo em cerimónias realizadas na Região. O protocolo existe, sempre existiu, mas percebe-se ainda melhor agora, com o artigo publicado pelo antigo presidente do Governo Regional, que no tempo de Jardim vigorava, na Região, o protocolo de Jardim. E bem ao seu estilo, lembra que quando apareciam "efebos", a mesma coisa que mancebos ou "maçaricos", como diz o povo e Jardim pensa, "remetia-os à piscina do hotel".

Num artigo publicado no JM, foi ao "álbum de recordações" comparar o 10 de junho em 1982. Tudo diferente: "Nunca deixei que na NOSSA CASA, a Madeira, os rituais necessários à dignificação das cerimónias oficiais, vulgo "protocolos", estivessem a cargo de outros com a veleidade de "vir dar ordens" numa população e num território com IDENTIDADE própria constitucional. Logo, titulares de Direitos específicos.

Como tal, o Parlamento da Madeira fez legislação sobre o formalismo dos actos oficiais na Região Autónoma. Tratando-se de lei especial, nenhum diploma geral da República, na matéria, pode revogar. Está em vigor", explica Jardim para justificar a sua discordância relativamente ao protocolo deste 10 de junho de 2021.

Mas tem mais confissões este artigo de Jardim. Uma delas, uma "malandrice", como deixa escapar no escrito, e sobre a qual nem é surpreendente para quem conhece Jardim: "Quando para alguns eventos a realizar na Madeira, apareciam-me uns efebos do Protocolo de Estado, eu remetia-os à piscina do hotel, explicando-lhes quem governa a Região Autónoma. Nunca algo falhou. Bem como posso confessar uma "malandrice". Nos jantares sentados, mais formais, quem estabelecia as posições na mesa era só eu. Porquê?Primeiro, porque jogava-se uma imagem de civilidade madeirense. Segundo, porque é uma boçalidade sentar uma Senhora em qualquer dos extremos. Terceiro, importante, porque me interessava que X ficasse junto a Y, pois era útil que, ou com o cônjuge, falassem de assuntos decisivos pendentes". Estava, assim, feito o protocolo de "estado de Jardim".

Neste artigo, o ex-presidente do Governo critica a cerimónia "tristezinha", não percebe a ausência da PSP e GNR e manda uma "farpa" a Marcelo: "Enquanto os quatro anteriores Presidentes da República intervieram, dinamizaram e acompanharam em permanência os acertos que a Autonomia exige ao longo dos anos, sempre com inequívocos resultados positivos, maiores ou menores, o quinto Chefe de Estado após o 25 de Abril disse que não era com Ele, mas com os dois Governos!..."



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