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  • Henrique Correia

"Novembro está a ser uma verdadeira desgraça", revela o CEO do Grupo Pestana


José Theotónio garante que o Grupo vai tentar sobreviver sem despedir trabalhadores e prevê faturar, em 2021, já o dobro de 2020, mas ainda assim metade do que fez em 2019. 


Foto José Fernandes (Expresso)


Chama-se José Theotónio e é o diretor executivo do Grupo Pestana, um grupo hoteleiro liderado pelo madeirense Dionísio Pestana, de dimensão internacional. Ao semanário Expresso, o CEO confirma o que a situação de crise pandémica já avisava relativamente aos efeitos nefastos para a economia, desde que o País parou, no fundo quando o mundo parou e aniquilou um setor vital para a Madeira, o Turismo. A hotelaria sofreu, o mesmo acontecendo com todas as atividades relacionadas. E se os últimos tempos foram difíceis, os próximos não serão melhores. Nesta entrevista, José Theotónio revela que "o mês de outubro foi pior do que setembro e novembro está a ser uma verdadeira desgraça, muito pelas decisões do Governo português para controlo da pandemia, mas também do britânico, que proíbe os ingleses de viajar para efeitos de lazer. Prevíamos abrir mais hotéis na Madeira, mas a medida do Governo inglês fez andar tudo para trás. E vamos ficar com tudo praticamente encerrado outra vez". Recorda os meses “péssimos” até março de 2021 e aquela que parecia uma recuperação até este novo enquadramento: Já passámos por várias fases. Na primeira encerrámos no espaço de 15 dias todos os hotéis, pousadas e unidades de negócio que temos em Portugal. Tivemos depois dois meses, abril e maio, completamente fechados, em que na hotelaria não faturámos nada. Não tivemos uma única fatura. Em junho rea­brimos alguns hotéis e pousadas, até em locais onde não costumava haver tanta procura, mas era o que as pessoas queriam". Este "boom" que "saiu" do confinamento parecia estar para ficar, mas não: "Estávamos à espera de ver alguma retoma em julho, mas também não aconteceu e foi um mês fraco. Onde sentimos alguma retoma foi na segunda quinzena de agosto e na primeira de setembro, muito à custa do mercado nacional. Só que o mercado português só dura enquanto houver férias escolares. Houve uma esperança quando Portugal entrou nos corredores aéreos com os ingleses, tivemos reservas que nunca mais acabaram para setembro e outubro, mas passados 15 dias voltámos a entrar na quarentena e foi tudo anulado". Perante períodos difíceis, José Theotónio tranquiliza os trabalhadores. O Grupo vai enfrentar a crise, tentar "sobreviver sem despedir trabalhadores ou desfazer-se de ativos. Uma "almofada" de “três anos anteriores muitíssimo bons” permite esse otimismo. O mesmo não acontece com o resto do setor: “Já há situações de salários em atraso, fornecedores que não estão a fornecer e empresas que podem ficar pelo caminho”. Mas ainda assim, o Grupo Pestana não baixa os braços e prepara a operação do próximo ano, 2021, onde prevê faturar já o dobro de 2020, mas ainda assim metade do que fez em 2019. 


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