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  • Henrique Correia

O "bisturi" de João Pedro Vieira para "reanimar" a esquerda e o (seu) PS


O caminho da esquerda segundo o médico socialista: "Reflectir, diagnosticar, clarificar, explicar, mobilizar, fazer: sítio a sítio, freguesia a freguesia, concelho a concelho - até vencer"



João Pedro Vieira, médico, socialista, foi peça fundamental de Paulo Cafôfo a caminho da liderança do PS-M, além de ter integrado a vereação da Coligação, continua a colocar o chamado "dedo na ferida" da esquerda, onde está o seu PS, onde foi secretário-geral. Uma espécie de "bisturi" pós eleições presidenciais que o "senhor doutor" passa levemente para chegar ao fundo da questão fundamental, que é o eterno voto no centro direita, na Região, com zonas onde historicamente a esquerda, o PS diga-se, tem dificuldade em entrar.

Na sua página do Facebook, João Pedro Vieira escreve que "a migração de eleitorado, uns dirão que circunstancial, para a extrema e o centro-direita, venha de onde vier, ignorando o contexto histórico, social e político, e por isso estrutural, em que acontece, numa Região onde a direita governa com maioria absoluta desde 1976, esperando que depois esse eleitorado se vire, quase por milagre, maioritariamente para o centro-esquerda, é protelar no tempo a ausência de um diagnóstico que só se fará com reflexão profunda sobre o que fizemos bem ou mal até aqui".

Para o socialista, incisivo na observação, "começar de novo a cada ciclo, convictos de que antes tudo era pó com pouco valor, e manter anedóticos ziguezagues sobre tudo e sobre nada, que descredibilizam fatalmente a mensagem e o mensageiro, é persistir no erro".

Uma posição dura, sem dúvida, que encaixa à esquerda como um grito de alerta, uma vez que, não havendo comparação entre eleições diferentes, a verdade é que quem pretende chegar ao poder, deve atender a uma mensagem que passe, forte e clara. E perante novas ameaças, é preciso "colocar as barbas de molho".

Como solução, João Pedro Vieira, que fala sempre em esquerda e não só ao PS, diz que "na Madeira, a esquerda só tem um caminho a fazer, que reconheceu em tempos, com o decisivo impulso da anterior crise e do movimento social, para reverter a quase total irrelevância da sua expressão eleitoral em determinados sítios, freguesias e concelhos, que as contas de sucessivos atos eleitorais atestam"

Admite que se trata de "um caminho longo e difícil, mas que seja claro e por isso esclarecedor, que explique que na política não somos todos iguais, não defendemos, nem acreditamos todos no mesmo, e que temos um projecto alternativo, que soma e acrescenta em vez de excluir, com soluções distintas no quadro da Autonomia do poder regional e local, para construirmos uma sociedade mais livre, mais igual e mais fraterna. Reflectir, diagnosticar, clarificar, explicar, mobilizar, fazer: sítio a sítio, freguesia a freguesia, concelho a concelho - até vencer. Dá trabalho, mas a mudança social, política e partidária em que tantos acreditam assim exige - e é possível. Vamos a isso!"

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