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  • Henrique Correia

O Dr. Jardim e os grupos económicos da Autonomia


Mas é importante ter presente, sempre, que os grupos económicos são importantes para a Autonomia, mas não são a Autonomia.



O antigo presidente do Governo mantém-se atento à vida da Região e esteve presente na cerimónia de posse do novo secretário das Finanças.


Compreendo o que o Dr.Jardim escreveu, hoje, sobre os grupos económicos, nas suas habituais incursões digitais, aderindo assim às novas tecnologias sem "meter" muito a "mão na massa" da parte técnica. O que não interessa para nada, o que conta é o conteúdo e sempre se habituou aos escritos à mão para fazer despachos, para a governação e para os jornais. O digital é um mundo relativamente novo, mas não perde palco para dizer o que pensa. Quem gosta, gosta, quem não gosta, não estraga.

Hoje, o Dr. Jardim escreveu para dizer que "sem grupos económicos regionais, não há Autonomia. Pelo que os meus Governos propiciaram a sua criação, mesmo a adversários políticos...O PS defendia os grupos estrangeiros e de Lisboa...Agora, no porta-a-porta, fala contra os de cá, mesmo os que O apoiam! (St.António)".

O Dr. Jardim tem razão, a Autonomia precisa dos grupos económicos, como de resto os grupos económicos precisam da Autonomia. A Autonomia Política foi uma importante conquista da Madeira e em qualquer contexto de desenvolvimento, as empresas, os grupos económicos são importantes, garantem emprego, fazem funcionar a economia e fazem prosperar o desenvolvimento da Região. Ninguém duvida disso.

Mas esta sustentação do Dr. Jardim tem alguns "pecados originais". Desde logo o propiciar, que tanto pode dar o conceito de "permitir" como o de fazer surgir algo, como um benefício", como acrescenta o Dr. Jardim, até a adversários políticos, como se de uma benesse se tratasse mesmo sendo da oposição, o que na realidade até foi verdade relativamente ao poder económico ligado a lideranças de uma determinada conjuntura socialista. Um aspeto que faz parte da história da governação do Dr. Jardim e de uma "paralisação" do Partido Socialista, então resignado a um jardinismo vitorioso e absoluto.

Mas como princípio, mesmo sabendo que isso não acontece na exata medida do contributo autonómico puro e duro, os governos devem criar estabilidade governativa e mecanismos de apoio genérico ao tecido económico para que ele floresça no sentido da correspondência do empreendedorismo e não a reboque de favores e facilitismos de quem está nos poderes. Não é preciso permitir ou beneficiar o que quer que seja, ou mesmo criar cumplicidades comprometedoras que se confundam com a Autonomia de uma Região, prevalecendo os elogios a cada obra e a cada ajustamento.

Os grupos económicos são importantes na Autonomia. O Dr. Jardim falou, como sempre, foi genuíno, não é agora que vai fazer o que nunca fez, colocar "panos quentes" para dizer o que pensa. E se não fosse assim, não era o Dr. Jardim.

Mas é importante ter presente, sempre, que os grupos económicos são importantes para a Autonomia, mas não são a Autonomia, que vai muito mais além, se quisermos a Autonomia que queremos, com os poderes a saberem bem quais os seus lugares. Para que se perceba o "separar das águas". Só assim teremos um governo forte, grupos económicos fortes e uma Autonomia forte. Para fazer forte o povo.

Não sei se a Autonomia tem conseguido, sempre, estes equilibrios...



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