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  • Henrique Correia

O "estado" da imprensa é "mau" segundo o diretor do Tribuna


O que o diretor do Tribuna, Edgar Aguiar, devia ter dito é que o MEDIARAM, que até tem o mérito aparentemente equilibrado, está "feito" para o JM e o DN, uma espécie de "fato à medida".




O diretor do Tribuna da Madeira e das Revistas Saber e Fiesta disse, no Parlamento, que o grupo editorial que representa não se candidatou aos apoios do programa MEDIARAM (criado pelo Governo Regional, de apoio à comunicação social e que dá 300 mil euros ao Diário e mais 300 mil ao JM e nem 5% disso ao Funchal Noticias, órgão online) porque uma das condições era “a presença de 8 jornalistas”, a tempo inteiro, e disse, como quem está convencido da certeza do que fala, que “os jornais e revistas não se fazem apenas com jornalistas”. Não é de estranhar esta posição de um diretor/dono, era pior se fosse diretor sem /dono

Não deixa de ser interessante esta posição. Os jornais e revistas de informação fazem-se com jornalistas e de colaboradores dos projetos jornalísticos que funcionam com enfoque nos conteúdos, predominantemente jornalísticos e de preferência feitos por jornalistas profissionais e não por curiosos com aspirações a jornalistas.

Claro que os grupos editoriais não se fazem apenas de jornalistas, mas os jornalistas são pedras basilares, ou deveriam ser, dos grupos que editam publicações jornalísticas, reconhecidas pelas entidades competentes, sendo que estes apoios constantes do MEDIARAM envolvem publicações de informação, logicamente com jornalistas e os apoios dependem do número de profissionais no exercício do jornalismo. Normal, tirando o número de profissionais, que não está ali por acaso.

O que Edgar Aguiar devia ter dito é que o MEDIARAM, que até tem o mérito aparentemente equilibrado, está feito para o JM E O DN, uma espécie de fato à medida, primeiro para dizer que regula o mercado com equilíbrio, pelo lado do DN, travando simultâneamente alguns ímpetos, e depois para viabilizar a (sua) estratégia de privatização do JM, que passava por encontrar alguém que comprasse por 10 mil euros mas que tivesse garantias de sobrevivência financeira do jornal, sabendo-se que pela via das vendas e da publicidade extra oficial, não chegava longe. Qualquer empresário ia exigir isso para "dar o nome e deitar a mão" sem meter muito dinheiro. E assim nasceu o MEDIARAM, a publicidade institucional, os eventos e outros aproveitamentos que tornam hoje a comunicação social escrita muito igual.

O diretor do semanário disse mais, disse na Comissão Especializada permanente de Política Geral e Juventude, na audição sobre os “Apoios à Comunicação Social Privada”, que “o estado da imprensa na Madeira é mau”, como refere uma nota publicada pelo próprio Parlamento. “Política erradas fizeram com que os órgãos de comunicação social, leia-se imprensa, fossem estrangulados até à asfixia”, disse.

Queixou-se também da ausência de apoios extraordinários para a comunicação social madeirense, que foi muito prejudicada pela pandemia neste último ano e meio.

Pediu ainda que os orçamentos dos diferentes governos contenham verbas para publicidade institucional, de modo a “manter viva e com saúde a comunicação social”.

O diretor do Tribuna fez bem alertar. Mas já viu o que era colocar nos orçamentos verbas de publicidade institucional? Escrito e escrutinado? Num contexto qualquer, mas sobretudo neste contexto de dificuldades sociais? Assim, sem nada orçamentado, fica apenas escrito o MEDIARAM, e o resto, a tal publicidade institucional, que Edgar Aguiar sabe que existe como se fosse um "saco sem fundo", fica ao critério livre de quem decide dentro de um quadro de legalidade, que nem sempre de moralidade, mas que vai acontecendo quando é preciso. O Governo acaba por ser uma espécie de "sócio sombra" para dar a "almofada" aos privados.

E depois querem dar credibilidade a estas comissões de inquérito que discutem "sapatos novos com meias rotas".

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