"O grande erro é nos apresentarmos como necessitados e coitados"
- Henrique Correia

- 22 de fev.
- 2 min de leitura
Ex-deputado Carlos Rodrigues diz o que o PSD-M não quer (ainda) dizer: "Não faz sentido fazer parte de órgãos nacionais de partidos que não nos defendem, não faz sentido se manter em grupos parlamentares de partidos que nos agridem".

O ex-deputado Carlos Rodrigues, que durante anos integrou o grupo parlamentar do PSD na Assembleia Regional, hoje é vice presidente da gestão de Jorge Carvalho na Câmara do Funchal, voltou a um registo que se lhe reconhece de há muito, e que neste caso funciona como a voz de revolta da Madeira para Lisboa, toma posição e põe o "dedo na ferida", a "ferida" são anos de um complexo de inferioridade madeirense perante qualquer fato e gravata mesmo desembarcado de Freixo de Espada à Cinta, com o maior respeito pelas gentes do distrito de Bragança.
Carlos Rodrigues escreve o que o PSD-M não quer ou não pode escrever, tem receio do confronto aberto, o mesmo receio que nunca tiveram os políticos nacionais, não vão ter nem terão pelos vistos, relativamente às Autonomias. Não é uma diferente interpretação sobre a Autonomia, é mesmo visão das ilhas ao longe. Por isso, o ex-deputado não tem dúvidas:
"O grande erro que temos cometido, enquanto madeirenses, tem sido apresentarmo-nos como necessitados, coitados e abandonados...Há uma certa tendência para estender uma das mãos em súplica e segurar, com a outra, o chapéu, em gesto de reverência submissa.
O que não compreendo é que o fazemos perante decisores nacionais que, independentemente das suas origens (aldeias perdidas no interior, aglomerados suburbanos incaracterísticos ou grandes capitais de distrito), teimam em olhar os insulares com desdém, arrogância e sobranceria, na maioria das vezes, resultado de uma ignorância atrevida e de uma inveja provinciana.
Carlos Rodrigues tem uma posição muito clara sobre o que fazer, talvez Albuquerque esteja a pensar duas vezes em negociações futuras, institucionalmente falando, e que vão exigir mais entendimento do que tensão, ainda que não possa ficar refém desse eventual enquadramento: "Pois, é tempo de nos darmos ao respeito e isso passa, necessariamente, por marcar posição. Não faz sentido fazer parte de órgãos nacionais de partidos que não nos defendem, não faz sentido se manter em grupos parlamentares de partidos que nos agridem, humilham e ofendem, não faz sentido contemporizar com governos hostis e que nos remetem para o esquecimento. Agora foi o PSD, mas já foi, muitas vezes, o PS. Não importa quem lá está, o resultado acaba por ser o mesmo", escreve Carlos Rodrigues defendendo, neste particular, o que Manuel António Correia já defendeu recentemente, no sentido de Albuquerque retirar-se dos cargos nacionais de que faz parte como forma de marcar posição.
O antigo deputado tem um argumento para dar, uma espécie de "luva branca" a Lisboa: :Para os calar com números basta responder com um muito significativo. O provincianismo rectangular anula-se com este facto: Portugal tem a terceira maior Zona Económica Exclusiva da Europa mas isso só é verdade porque tem a Madeira e os Açores. As duas regiões autónomas asseguram 81% da mesma enquanto o minúsculo rectângulo apenas assegura 19% da referida Zona. Sem as ilhas maçadoras Portugal seria insignificante".



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