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  • Henrique Correia

O Papa sem medo das palavras fala da "hipocrisia" de alguns cristãos e da Igreja



“Há muitas situações nas quais se pode verificar a hipocrisia. Frequentemente esconde-se no local de trabalho, onde se trata de aparentar amizade com os colegas, enquanto a competição leva a golpeá-los pelas costas".




O Papa Francisco já nos habituou a declarações que, de algum modo, acabaram por "revolucionar" a visão que prevalece relativamente às cúpulas da Igreja Católica, à forma como acompanharam os novos tempos, a sintonia entre as sociedades modernas e as orientações do Vaticano perante o mundo, numa procura pelo "ângulo" mais adequado da forma como a Igreja Católica vê o "retrato" do mundo dos fiéis, em confrontação com o seu próprio mundo.

O Papa tem sido Grande no discurso. E nem que seja apenas por aí, vale a pena ouvi-lo na abordagem de certas realidades do mundo de hoje. Mas Francisco foi ainda mais longe, por estes dias, quando falou sobre um assunto realmente importante no interior da Igreja Católica e na forma como esta se relaciona com o exterior, sendo que é preciso distinguir entre a Fé de cada um e a vida da Igreja, que é diferente. E não podemos cair na tentação de confundir duas situações diferentes, uma espiritual, outra muito terrena.

O líder da Igreja Católica falou na “hipocrisia da igreja”, que é “particularmente detestável” e lamentou que haja “muitos cristãos e muitos ministros hipócritas”. Dedicou a catequese, no decorrer da audiência geral realizada na aula Paulo VI, ao “comportamento reprovável” que é a hipocrisia e que se encontra tanto “no local de trabalho como em políticos que vivem de uma forma em público e de outra em privado”.

“Há muitas situações nas quais se pode verificar a hipocrisia. Frequentemente esconde-se no local de trabalho, onde se trata de aparentar amizade com os colegas, enquanto a competição leva a golpeá-los pelas costas. Na política não é incomum encontrar hipócritas que vivem um desdobramento entre o público e o privado”.

Na verdade, a Igreja Católica tem um problema de relacionamento com a sociedade, embora não pareça, sendo as comunidades religiosas uma forma de apoio no equilíbrio da própria sociedade. Mas os tempos e a prática revelam-nos que a Igreja Católica tem um posicionamento por vezes dúbio relativamente a assuntos verdadeiramemte importantes das pessoas. Vivendo para as pessoas, com predominância espiritual, é verdade, nem sempre tem, para com as pessoas, aquela postura "despida" de interesses que pululam à sua volta e que visam tirar partido da mobilização de massas para outros fins, tambem é conhecidos.

O Papa foi longe com a declaração da hopocrisia da sociedade extensiva ao interior da Igreja Católica, sendo importante não generalizar, mas verdadeiramente importante não esconder, uma vez que não há intocáveis quando se trata de dar transparência às atitudes e aos relacionamentos de poderes, contexto em que a Igreja Católica devia estar na linha da frente do purismo, mas nem sempre está, e em algumas circunstâncias, nunca está.

A Igreja Católica tem grandes dificuldades em ser transparente em algumas atitudes e decisões, não se consegue libertar de uma certa influência dos poderes políticos, desvia-se muitas vezes do seu percurso de missão, cujo discurso assenta numa direção quando o caminho indica outra.

É por isso que o Papa é grande. Sem medo das palavras e daquilo que elas representam. Sem receios de colocar em causa a matriz que tantas vez conduz esta relação com o povo, esta dificuldade de dar o corpo às balas, sobretudo quando essa intervenção poderá colocar em causa determinadas realidades de todos conhecidas, no mundo, no país, mas também na Madeira.

Como se sabe, a hipocrisia é transversal a toda a sociedade feita por homens e mulheres, com os seus defeitos e virtudes.

Deus é outro universo, é a Fé de cada um a olhar para todos. E é sempre bom pensar naquela expressão: "Deus está vendo..."



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