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  • Henrique Correia

O PSD de lá parece o PS de cá: a estabilidade "assusta"


Seria bom, para o PS-M, clarificar a sua dinâmica interna. Fazer mal não é bom. Não fazer nada, é péssimo.




Rui Rio, líder nacional do PSD.

Paulo Cafôfo, líder demissionário do PS-M.


O poder parece que dá estabilidade. Parece não. Dá mesmo. Dá estabilidade, dá empregos, dá trabalhos, dá cabazes, paga contas, promete mundos e fundos, como diz o povo do alto da sua sabedoria, do conhecimento também. Dá tachos, para falar verdade. É assim, simples, os tachos dão votos e os votos dão tachos.

A estabilidade convive bem com o poder e assusta a oposição. E compreende-se, a oposição tem pouco para oferecer, vive de expedientes pontuais, mas tachos não tem. Ou tem poucos. Como não tem, não pode dar e não pode negociar. Popularmente, diz-se que "em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Acontece com a oposição, convive mal com a estabilidade.

Transpondo este contexto para o País e para a Região, temos um PS de lá, da República, onde é governo pelo menos até janeiro, observando sentado, na plateia, uma oposição que não se encontra e que promete ter líder pronto no final de dezembro, depois do congresso a 17, 18 e 19 de janeiro, ainda que as diretas sejam a 27 de novembro. Mas na verdade, temos um mês, janeiro, para o PSD assentar. É pouco, muito pouco, para colocar um novo projeto a tempo de ganhar o País. Um partido que vai andar em campanha interna até 27 de novembro, trazer problemas e fragilidades para a praça pública, com o PS a ver, dificimente poderá criar uma onda mobilizadora capaz de ser credível aos olhos do eleitorado, que nestas circunstâncias, opta sempre pelo menos mau. E aqui, pelo espetáculo que PSD e CDS estão a dar ao País, o PS poderá tirar um grande proveito sem fazer grande coisa e mesmo com todos os "tiros nos pés" que já deu na governação.

Na Madeira, passa-se o mesmo mas ao contrário, o PSD a governar em coligação com o CDS e o PS na oposição. O PS, na Região, faz assim um pouco o papel do PSD na República nesta conjuntura. A estabilidade também assusta o partido na Região. Quando não tem, procura. Quando tem, estraga.

Depois de na noite de eleições autárquicas, termos ouvido o líder Paulo Cafôfo anunciar a intenção de sair e não se recandidatar, abandos aqndo o Parlamento e regressando à escola para voltar a dar aulas, pensava-se que o líder queria um processo rápido, eficaz, para que o partido pudesse apresentar uma nova liderança de forma mais célere. Não foi assim e o PS-M está, na prática, com um líder demissionário, ou seja, sem líder, não obstante Paulo Cafôfo já ter vindo a público em iniciativas do partido.

Cafôfo deveria ser o primeiro a defender eleições internas rápidas - só Filipe Menezes deu os primeiros passos na intenção de candidatura - para que o PS-M pudesse apresentar uma organização capaz para esta consulta de 30 de janeiro. Ao retardar o processo, revela uma qualquer intenção, que estará ainda em preparação, para assumir outro protagonismo. Se não é assim, torna-se difícil entender a espera para quem precisa sair do fundo do poço e erguer-se de um mau resultado. Seria bom, para o PS-M, clarificar a sua dinâmica interna.

Fazer mal não é bom. Não fazer nada, é péssimo.








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