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  • Henrique Correia

O PSD fez bem recusar coligação com este CDS



Na Madeira, estas eleições têm particularidades. O CDS está fraco na mesma, mas não mostra essa fragilidade porque vai com a "mão" do PSD a amparar.




Acho que o PSD faz bem ir sozinho às eleições de 30 de janeiro. Não é que isso represente vitória garantida nas legislativas antecipadas de 30 de janeiro, até porque estou convencido que o PS tem melhores condições de vitória e para todos os efeitos um líder mais consistente, que tem mais pontos fortes do que pontos fracos, mas sim porque o CDS, com esta liderança, não é mais valia numa coligação. Para o PSD, ir com o CDS, era valer menos. E esse foi o entendimento.

Efetivamente, o CDS atravessa um dos seus piores momentos, com uma liderança fraca, que colocou os interesses pessoais acima dos partidários, impossibilitando uma esperança nova para ir a eleições. Resolver a liderança depois do ato eleitoral, foi o grande erro do CDS numa perspetiva de representatividade e peso na Assembleia da República. Corre sérios riscos se superar, pela negativa, a época do "partido do táxi", na década de 80 quando o partido teve 4 deputados no Parlamento. Poderá, hohe, ser pior, há quem diga que um táxi é muito e que o CDS corre o risco de ser o partido da trotinete. É mau para a democracia e para as lideranças e para os quadros que o CDS já teve e tem

Acho que não há um partido, neste momento, para derrotar o PS. Por uma razão forte que se prende com a instabilidade da concorrência. E também acho, não é grande análise achar isso, que não haverá maioria absoluta, faltando saber se o PSD quer, de novo, experenciar uma solução tipo Bloco Central.

O PSD sai de eleições mas Rui Rio não é um líder que convença, que mobilize, que tenha carisma e presença fortes para convencer o eleitorado, pelo menos o suficiente para vencer as legislativas. Poderá chegar para ser parceiro do PS, uma vez que se prevê um CDS fraco e um Chega com quem Rio não quer nada. Mas ser parceiro do PS também tem o seu preço. E Rio sabe disso.

Na Madeira, estas eleições têm particularidades. O CDS está fraco na mesma, mas não mostra essa fragilidade porque tem a "mão" do PSD a amparar a queda. E nisso, Rui Barreto soube decidir bem, sabe que o partido está fraco, tal como no País, mas concorrendo em coligação com o PSD tem tudo a ganhar, aproveitando bem a conjuntura que conduziu à coligação governamental em 2019 e agora à coligação em determinados municípios, incluindo o Funchal, onde o PSD recuperou a Câmara, levando o CDS na coligação.

Para as eleições de 30 de outubro, a Madeira elege liderança do Governo da República, mas o que está em jogo mesmo é a lista de deputados à Assembleia da República, eleitos pela Região, sendo que o PSD não terá grandes dificuldades para eleger 4 deputados, em função da longa indefinida no PS Madeira, que está a fazer um pouco aquilo que o CDS faz a nível nacional, eleger a nova liderança depois das eleições. Ganha o PSD-Madeira, que leva o CDS mais pelo histórico de coligação no Governo e nas câmaras do que propriamente pelo valor do CDS hoje, que na Região também sofreu uma forte delapidação eleitoral. A sorte do CDS Madeira é o PSD "deitar-lhe a mão", como diz o povo.

Por aquilo que é dado conhecer pela lista da coligação PSD/CDS, temos uma particularidade da mesma não ser liderada pelo líder do partido Miguel Albuquerque, que deixa essa missão em Sérgio Marques, que já era deputado e foi secretário regional, por pouco tempo, e deputado europeu por muito tempo. Mas não é uma figura popular, nem dentro nem fora do partido. Para o PSD-M será mais valia que o eleitorado tenha objetivo de votar Rui Rio. Se assim não fosse, uma lista com o número 1 pouco popular, um número 2 regular e o resto experiências, teria dificuldade numa eleição direta se o PS-M saisse da letargia que o apoquenta relativamente às lideranças. Em condições normais. E Albuquerque jogou nosso, para este jogo pode lançar jovens, e ainda bem para a renovação de quadros.





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