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  • Henrique Correia

O que João Pedro Vieira quer mesmo é ir à "raiz" do PS-M para criar um PS-M de raiz



O que o Dr. João Pedro Vieira pretende, na verdade, não é mudar este PS-M . É mesmo um novo partido, a avaliar pelo "caderno de encargos" que deixou neste artigo no DN. Quase o impossível.




O Dr. João Pedro Vieira foi vereador no Funchal e secretário-geral do PS Madeira. É médico de formação profissional. Fez um dia destes, num artigo publicado no DN, uma reflexão deveras importante e lúcida relativamente ao estado do PS Madeira. Colocou aquilo a que popularmente chamamos de "dedo na ferida", fez uma apreciação do histórico "modus operandi" do PS-M, antes de Cafôfo, durante Cafôfo e perpetivando o que podemos designar de pós Cafôfo, se bem que ainda esteja por clarificar se e quando Paulo Cafôfo pode ser o D. Sebastião que se substitui a si próprio surgindo deste "nevoeiro" provocado pela derrota no Funchal.

O Dr. João Pedro Vieira faz uma leitura correta do partido e faz revelações de certo modo surpreendentes, o PS Madeira sempre viveu alimentando atritos às lideranças, virado para si, sem o empenho suficiente para um posicionamento pela Madeira. Escreve o médico que o futuro do PS-M, se o partido quiser ter futuro, passa por pensar na Madeira e não nas lideranças.

Mas aquilo que o médico socialista define como males crónicos e vícios estruturais, não sendo de um ou dois anos, nem sequer de dez ou vinte anos, acaba por ser um problema grave para quem quiser, pela enésima vez, erguer o PS-M sem esta fórmula de fatalidade. No fundo, para sermos realistas, o que o Dr. João Pedro Vieira pretende, na verdade, não é um PS-M mudado. É mesmo um novo partido, a avaliar pelo "caderno de encargos" que deixou neste artigo e que, por ser verdadeiro, provavelmente nem João Pedro Vieira acredita na consequência, no sucesso diga-se, da avaliação que faz. Fica, pois, o conjunto de intenções, para quem tiver coragem de ir à raiz do PS para criar um PS-M de raiz.

Diz João Pedro Vieira que "não é possivel que o PS-M continue a discutir, eleição após eleição, os defeitos das suas lideranças, e o repetir discursos de união com mais de 20 anos, com os mesmos protagonistas do passado, profissionais da promoção do fanatismo cego em torno de lideranças transitórias de um clube fechado, com a mesma capacidade de dizimar novos rostos e gerações".

Acrescenta que "48 anos e muitas derrotas depois, o PS-M não pode continuar a repetir as mesmas fórmulas à espera que da próxima corra melhor".

O antigo secretário-geral socialista aponta três erros, um estratégico, de incapacidade de de repensar meios de combate num contexto de "democracia condicionada na Madeira"; outro erro programático de incapacidade para explicar as opções do partido para a Madeira e o Porto Santo; um terceiro erro de caráter social, de incapacidade para manter a base de sustentabilidade e abertura às novas gerações e à sociedade civil.

João Pedro Vieira não ignora as suas responsabilidades, quando esteve ativo nos órgãos do PS-M, mas deixa um recado aos profissionais da luta contra os lideres: "Certo é que, em 2019, todos contribuímos, não sem erros, para agregar os militantes do PS-M, em torno de um projeto comum, como raramente aconteceu na História da Madeira".



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