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  • Henrique Correia

O voto é "desconfinado"



A Política não pode esperar neste mundo de vidas adiadas...


O Governo da República percebeu duas coisas: em primeiro lugar, o novo confinamento ia dar cabo das eleições presidenciais, com uma grande probabilidade de haver recordes da abstenção, as pessoas estão desgastadas para tudo e Marcelo tem aquilo ganho; em segundo lugar, essa forte possibilidade poderia abrir caminho ao chamado vito de protesto, que traz sempre surpresas em contextos de crise. E é aqui que entra o chamado voto "desconfinado", para tentar "salvar" esta mais do que provável reeleição do atual Chefe de Estado.

De facto, o voto antecipado é uma solução, não resolve tudo, mas é capaz de evitar o pior, sobretudo da forma alargada como acontece neste enquadramento atípico, possibilitando o recurso a todos os cidadãos, sem necessidade de apresentarem qualquer justificação, a deslocação das urnas de voto aos lares de Idosos e junto de quem está em isolamento profilático. Para situações diferentes, soluções diferentes. Pode ser que dê certo.

O que não se percebe mesmo é a incapacidade dos governos de prevenirem estas situações, de forma atempada, evitando a exposição das episódios na praça pública, com a Comissão Nacional de Eleições a desenvolver campanhas de sensibilização para que os lares se organizassem no sentido do transporte dos idosos para o exercício do voto a 24 de janeiro. Ou seja, não podiam ver a família mas podiam ir votar. Um caráter de exceção que só a política pode dar, a mesma exceção que a emergência prevê para a atividade política acima de qualquer pandemia. E que não se percebe.

Mas não houve quem visse aquela publicidade da CNE? Não há articulação com as Autoridades de Saúde? É preciso andar sempre atrás do "prejuízo", sempre mais por reação do que por ação? Os tempos são de de mutações constantes, mas que diabo, isto nem sequer era difícil de prever.

Mas temos eleições, temos pandemia, mais do que nunca, vamos ter confinamento, talvez de 15 dias, talvez mais, provavelmente não na Madeira, não vamos ter praticamente campanha, apesar de dizerem que os candidatos vão gastar um milhão de euros, não se sabe bem em quê.

A Política não pode esperar neste mundo de vidas adiadas...



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