Onde está o "nosso" Ronaldo?
- Henrique Correia

- 21 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Com tudo o que possa estar a acontecer em termos interiores, tem um legado a defender e saber sair fará parte desse legado, da percentagem que não está nos troféus e nos golos, mas naquilo que Ronaldo conseguiu construir e solidificar na carreira: humildade.

Tenho muita pena que Cristiano Ronaldo esteja a passar por aquilo que esta a passar. E tenho ainda mais pena que seja por culpa própria, por "tiros nos pés", por atitudes irreflectida que ultrapassam um ou outro momento menos bons que todo o ser humano tem o direito de ter nas suas vidas, pessoais e profissionais. Não é esta a matriz de comportamento de Ronaldo, não há nada que justifique não ter integrado a pré temporada com os seus companheiros de equipa, não há nada que justifique recusar a entrada, sabe-se agora, em dois jogos, o último dos quais contra o Tottenham. Grave, muito grave, mesmo sabendo que o treinador não é nenhum "anjo". Mas neste caso, em nome do grupo, está a agir bem.
Segundo o jornal A Bola, "Erik Ten Hag, treinador do Manchester United, confirmou esta sexta-feira que Cristiano Ronaldo se recusou a entrar nos últimos minutos do jogo com o Tottenham". O técnico disse que "nesta equipa tempos valores e tenho de os controlar», disse, sendo que, além da recusa em entrar, esta foi a segunda vez que aconteceu Ronaldo sair mais cedo. A primeira foi a 31 de julho, num particular com o Rayo Vallecano. No primeiro jogo de pré-época que realizou, acabou substituído ao intervalo e saiu do estádio.«Depois do jogo com o Vallecano, disse-lhe que era inaceitável e não foi só ele, avisei todos no início da época. Esta foi a segunda vez, há consequências. Quando se vive e joga junto, numa modalidade coletiva, há responsabilidades".
Nem mais. Cristiano Ronaldo conquistou quase tudo o que tinha para conquistar, faltará apenas o Mundial como grandes competições, bateu todos os recordes, foi o melhor dos melhores, por clubes de grandes ligas europeias, Inglaterra, Espanha, Itália, além de Portugal. Ficará para a história do futebol mundial e sempre soube carregar essa responsabilidade com uma postura de elevação e não de superioridade, de elevação própria de quem é grande e não precisa de se colocar em bicos de pés para esse reconhecimento.
Por tudo isso, esta situação que vive no Manchester e as atitudes, são muito estranhas. Não foi assim que CR7 conquistou o mundo, conquistou-o com competência, por ser o melhor, por ser o primeiro a chegar e o último a sair, por trabalhar nos treinos como nos jogos, de estar sempre disponível para ser o exemplo. Por ser, sempre, o exemplo.
Está a tempo de inverter este comportamento de final de carreira, de frustração, acredita-se que sim, porque não há eternos. Mas com tudo o que possa estar a acontecer em termos interiores, tem um legado a defender e saber sair fará parte desse legado, da percentagem que não está nos troféus e nos golos, mas naquilo que Ronaldo conseguiu construir e solidificar na carreira: humildade.
Todos os que gostam de futebol querem o "nosso" Ronaldo de volta. E o Mundial está aí...



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