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  • Henrique Correia

Os almoços na Quinta Vigia



Mesmo sendo difícil de justificar esses encontros na presidência do Governo, Miguel Albuquerque explicava, sem necessidade daquela resposta típica de quem quer fugir à pergunta por não saber a resposta.




"Tenho ido casa, ontem fui almoçar a casa, domingo almocei em casa, sábado almocei já não me lembro onde...". Foi assim que o presidente do Governo Regional respondeu à pergunta de um jornalista sobre os almoços na Quinta Vigia, para tratar de assuntos do PSD Madeira, com autarcas eleitos pelo partido, que foram alvo de notícias, nos dois jornais, até hoje não desmentidas. Estavam previstos mais almoços, mas quanto a notícias, a partir daquelas, nada que se veja sobre o assunto. Deu muito nas vistas e "secou a fonte". Agora, só quando houver mais milhões para anunciar ou quando for para os candidatos às autárquicas ou outra coisa que interesse passar.

A pressa de "distribuir" notícias e a força do hábito destes "ajustes diretos" para os jornais, de que o Governo e o PSD não têm o exclusivo, diga-se, para justificar certas apostas na comunicação e em comunicadores foi tanta que, provavelmente, ninguém pensou que ia suscitar dúvidas as reuniões de partidos na Quinta Vigia. Ninguém pensou por duas razões: primeira, é um hábito que não é de agora e mesmo dizendo que somos diferentes do passado, não vem mal ao mundo ser igual, uma vez não são vezes; segundo, ninguém vai questionar. E foi quase isso.

Mas antes de irmos ao assunto, é preciso dizer que, tirando o almoço, não vejo grandes prejuízos para a Região desses encontros autárquicos do PSD na Quinta Vigia. Não atropelam a lei, não precisam de visto do Tribunal de Contas ou de outra entidade qualquer, não mudam a nossa vida, não afetam o nosso almoço. O problema não é mesmo esse, não é esse mas é outro não menos importante, que tem a ver com a separação das "águas" em nome da transparência e da seriedade que devem presidir ao exercício dos cargos politicos. As pessoas não são menos sérias, realmente, se fizerem reuniões e almoços do partido na Quinta Vigia. Mas não é correto do ponto de vista dos procedimentos, da postura institucional, da diferença entre um cargo governativo e um cargo partidário. Quem está no desempenho de determinadas funções, deve ter isso em conta.

Miguel Albuquerque não precisava disto, não mesmo. Não precisava de fazer aqueles encontros na Quinta Vigia nem tinha necessidade de responder como respondeu aos jornalistas daquela forma. Ninguém tem nada a ver com o lugar onde almoça, ninguém tem nada a ver se almoça em casa ou num restaurante, nem com quem. Mas já tem a obrigação de explicar as razões que levaram a fazer um encontro partidário, com almoço ou não, na Quinta Vigia, por muito difícil que seja explicar, claro que era mais fácil não ter feito esses encontros na sede do Governo e fazê-los na sede do PSD. Nem era preciso dizer nada. Mas mesmo assim, mesmo sendo difícil de justificar esses encontros na presidência do Governo, explicava, sem necessidade daquela resposta típica de quem quer fugir à pergunta por não saber a resposta.

Usar os jornais tem destas coisas. Dão os milhões para empresas, famílias, apoios à cultura, pormenores da "bazuca", o que se propõe, tudo o que é bom passar. E depois, pelo meio passa uma reunião de autarcas do PSD-M na Quinta Vigia. Isso é que já não deu jeito nenhum...

Por isso, o melhor é fazer cada almoço no lugar certo.



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