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  • Henrique Correia

Os "boys", os "clones" e os partidos


Os novos "boys" dos regimes são muito iguais. Têm cursos diferentes mas até parece que andaram na mesma escola, na mesma universidade. Até parece que compraram os fatos na mesma loja,




São novos, não há mal nisso, antes pelo contrário, não é aí que reside o problema. São empurrados para as universidades, a formação é importante, são depois empurrados para o mercado de trabalho, que está mau, daí serem também empurrados para os partidos, onde algumas fragilidades internas facilitam uma certa desregulamentação de todo este processo de recrutamento. Favores pagam-se com favores, muitas vezes são esses os únicos elos de ligação, nem são as ideologias, nem são os partidos, eles próprios descaracterizados pelas negociações, sempre negociações que conduzem, invariavelmente, a objetivos e projetos de poder.

Vivemos em democracia, mas verdadeiramente, é por vezes secundarizada por esta legião de "boys" que sustentam mais do que são sustentáveis, acrescentam número mesmo subtraindo qualidade, simplesmente porque o número contabiliza-se, a qualidade não. E os projetos de poder, partidariamente falando, são feitos dos números, dos números que conduzem às lideranças, e com elas ao clientelismo.

Os novos "boys" dos regimes são muito iguais. Têm cursos diferentes mas até parece que andaram na mesma escola, na mesma universidade. Até parece que compraram os fatos na mesma loja, aprenderam a andar suave, a olhar pesado, a desconfiar do nada e a dizer tudo, mesmo o que nunca ouviram falar. Só por parecer, o que parece tantas vezes pode ser, se for dito de forma "profissional" tem uns aninhos garantidos e uma boa meia dúzia fora de caminho. Aconteceu, acontece, é pior hoje, porque a corrida ao emprego é de loucos e é no meio dessa insanidade que os valores, ou a falta deles, se movem pelos corredores dos departamentos. Parecem feitos à medida, assumem-se desmedidamente de "peito cheio" mesmo sem "peito" para isso.

São os tais "clones" que o socialista Sérgio Sousa Pinto falou numa entrevista à SIC. Achei interessante a observação, fosse dita por um socialista ou por um social democrata. Era interessante na mesma, encaixa na realidade dos partidos, na passagem para as empresas, quando os partidos se confundem com as empresas e quando estas entram pelos partidos. Não há uma pessoa que não conheça casos.

É preciso que os partidos representem o emprego de valores e não os valores do emprego.

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