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  • Henrique Correia

Os eleitores estão fartos do que é "absoluto" mas correm riscos de certas "alianças"


Tal como na Madeira, o governo dos Açores será de coligação. O problema é saber com quem


Aquilo que se passou este domingo, nolas Eleições Regionais dos Açores, com uma vitória relativa do Partido Socialista, há 24 anos no poder e com maiorias absolutas no currículo, vem na linha do que já sucedeu na Madeira, relativamente ao PSD, mas também dos fenómenos que vão ocorrendo na Europa, de um chumbo às maiorias absolutas e do aparecimento de partidos emergentes pelo protesto

O eleitorado está farto do que é "absoluto", está cansado de colocar "todos os ovos no mesmo cesto", que não tem dado bom resultado em termos da governação equilibrada e com reflexos efetivos para a melhoria das populações. Por isso, à cautela, dá vitórias relativas para haver uma maior fiscalização parlamentar. Mas aqui, ao contrário da Madeira, com uma composição de oito forças representadas na Assembleia dos Açores.

Mas é preciso dizer, também, que esta decisão soberana do povo pode trazer algumas situações que vão adulterar os próprios programas sufragados nas urnas, mesmo que esse povo eleitor, por vezes, nem conheça os programas e pretenda, tão sómente, ou votar por habituação ou votar por protesto. Assim, pode até estar a passar um "cheque em branco" para uma coligação que não só traz uma configuração nova, como gente diferente e com propósitos diferentes, por via das respetivas negociações que viabilizam a governabilidade, mas podem trazer outros problemas.

Tal como na Madeira, o governo dos Açores será de coligação. O problema é saber com quem, se será uma espécie de "Bloco Central" entre PS e PSD, se uma outra PS/ CDS ou ainda a possibilidade de acordos parlamentares, necessariamente mais vulneráveis, menos estáveis. Há outra solução do tipo "Geringonça", mas de maior dificuldade em termos de execução, além de que o PSD teria muito a explicar em matéria de coerência, mesmo tendo em atenção que a coerência não "joga" muito bem com a política.

O eleitorado votou, mostrou que não quer um só partido a governar. E pronto, fica por aqui. Agora, os políticos fazem o que querem com a legislação que têm ao dispor. O povo não votou numa coligação específica? Não gosta do que vier a ser acordado? Escolheu um programa mas é preciso alterá-lo por causa da negociação de Governo? Paciência, é a vida de um democrata. É esta a relação entre eleitores e eleitos.

O povo pensa que manda quando vota. Claro que o voto é a "arma" do povo. E felizmente há democracia, que até prova em contrário é o melhor dos sistemas Mas depois, os partidos e os políticos decidem tanta coisa de sentido diferente que até podem olhar para o eleitorado com um claro "tomem que é democrático". Os reflexos levam quatro anos.

Mas é como em tudo: as escolhas envolvem, sempre, riscos.


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