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  • Foto do escritorHenrique Correia

Os eleitores têm que ser mais exigentes se quiserem melhores governos.


A Política associada ao Poder tem um efeito catalisador para a promiscuidade, para o amiguismo, para o favorecimento...




Os políticos não são todos iguais. Mas a Política e o Poder são. Podem dar as voltas que quiserem, a Política associada ao Poder tem um efeito catalisador para a promiscuidade, para o amiguismo, para o favorecimento, para a empregabilidade por encomenda geracional na linhagem de poder, a tão conhecida cunha, as admissões todos os dias que juntando dá como o antigo rol de mercearia (para os mais novos, menos conhecedores do rol, era uma espécie de livrinho onde o merceeiro assentava as dívidas, que eram para pagar no fim do mês mas muitos deixavam raízes nas páginas e não saíam de lá. Não pagavam até o dono dizer que fiado só ao lado. E lá iam para o novo rol do lado). É assim a Política associada ao poder.

Nem de perto nem de longe defendo a ideia dos políticos serem todos iguais. Não são, há políticos com mérito, honestos, capazes de um discernimento que vai além dos ciclos eleitorais e além da estratégia político partidária. É verdade que muitos, assim, não duram muito, mas existem e alguns resistem, são no fundo estes que dão consistência a muitas governações. Na generalidade, com a partidocracia vigente, é impossível ser diferente, ver diferente, fazer diferente.

Ficamos muito surpreendidos quando se "descobre" que uma secretária de Estado recebeu meio milhão de indemnização da TAP. Deu bronca agora. Foi quando se descobriu, uma vez que ainda deu tempo para sair da TAP, entrar na NAV e só se deu conta disto quando veio para o Governo. Ou seja, não há seriedade nos processos de recrutamento porque a base não é séria. E fica tudo calado, num conluio alargado, até vir a público e obrigar a medidas. E quantos casos existem, desta e de outras dimensões, sem que se dê por isso?

Mas será esta situação diferente de outras que alimentam a política e a governação, nacional, regional e local? Ou será que existem casos destes ou parecidos em todo o lado, de ajustamentos, de garantia de empregos para os gestores de empresas públicas, só porque estão ali para a confiança, diga-se para assumirem a função de "testas de ferro" que não passam de portadores da "voz do dono" e até ficam "formados" nessa carreira pública de gestires "volantes"? Ou será que o escrutínio é diferente e funciona como nas operações stop apanhando ao acaso uns e deixando outros escapando ao crivo pela escolha aleatória?

Falta fazer muito para salvaguardar a transparência em funções públicas de poder. Há um percurso muito longo por realizar, há uma cumplicidade das forças políticas do chamado "arco do poder", precisamente porque quando chegam lá fazem praticamente o mesmo, com uma ou outra diferença, que no essencial não altera a tentação do favor e da cunha. E o mais grave de tudo é que é que o fazem em nome da Democracia e com o voto do povo. E é porque o povo gosta? Não, é porque o povo vê a parte e não o todo. A parte quando lhe chega e pensava que só chega aos outros.

Ainda ontem, Miguel Albuquerque admitia que os políticos são tentados pelos ciclos eleitorais, considerando isso normal. E é normal na nossa forma de ver e de fazer política. É assim que se ganham e se perdem eleições, com a ajuda da memória curta do eleitorado, onde o imediato emergente se sobrepõe ao profundo duradouro. Não há grande volta a dar.

Estamos a dar a volta ao ano e em 2023 teremos eleições regionais. Esperam-se dificuldades mas também recordes, no investimento, nos apoios gerais, nas admissões, em quase tudo. No governo nacional, espera-se que António Costa possa disciplinar os critérios de nomeação que não se fiquem apenas pela filiação partidária ou pela amizade.

Mas os eleitores portugueses têm que ser mais exigentes se quiserem melhores governos.




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