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  • Duarte Azevedo

Os pensamentos de Julio Velázquez


Novo verde-rubro treina desde os 15 anos e gosta de "jogar no meio-campo adversário" e de "ser honesto e falar na cara"


Quem esteve atento àquilo que por aqui se vai escrevendo – alertando, melhor dizendo… - tomou conhecimento, na manhã de segunda-feira, que Júlio Velázquez se perspetivava como a opção para substituir Milton Mendes como treinador principal do Marítimo. Depois, ao final do dia, também ficou conhecedor de ‘avanços e recuos’ até que na manhã de terça-feira veio a confirmação – entretanto a porta de Famalicão fechou-se com a contratação de Ivo Vieira - de que o espanhol iria substituir o brasileiro, tornando-se a ‘22ª nação’ no lote dos profissionais de futebol verde-rubros. Estranha, contudo, a demora desta operação quando no domingo já tinha sido decidido que Milton não continuaria - o mesmo Milton que 'esteve de saída' após o jogo em Tondela, quase há um mês... Enfim, com (muito) atraso é, pois, este ‘nuestro hermano’ de 39 anos que estará no comando maritimista, substituindo, um treinador depois, Lito Vidigal… que o substituíra em Setúbal após um interregno com Meyoung. Mas foi no Belenenses que Velazquez treinou pela primeira vez em Portugal, na época 2015/16. Entrou a meio do campeonato, teve sucesso, continuou mas, ao fim de 7 jornadas da temporada seguinte, saiu – não tanto pelos resultados mas por divergências contratuais ao que foi anunciado então. Velazquez, note-se, é um apaixonado pelo treino. Deu os primeiros passos nesta carreia aos 15 anos! Natural de Salamanca, contudo viveu sempre em Valladolid, tendo residência agora em Madrid. “Ser treinador foi, mesmo, uma questão de vocação”, confessa embora acumulasse com jogador, ‘central’, até aos 20 anos. “Decidi ser treinador a 100%, tirei todos os níveis e treinei todas as categorias, desde miúdos dos 7 anos aos seniores. Aos 19 anos treinava jogadores de 18…”. O ser treinador não impediu Júlio Velázquez de ter formação académica noutras áreas. Tanto assim que, depois de ter estudado marketing, ‘fez’ licenciatura e mestrado em Educação Física. A ligação ao futebol português do novo verde-rubro vem de longe pois ao fazer observação para o Valladolid, há 18 anos, tinha por missão, também, ver jogos da Liga portuguesa. Futebol luso que considera ter “muitos duelos individuais” mas, também, ser “muito técnico”. “Para mim, o modelo de jogo é dinâmico, depende sobretudo dos jogadores que tens mas, claro, da sensibilidade e da ideia que cada um tem da maneira de jogar”, referiu, em tempos, numa entrevista ao Expresso. “Gosto de ter uma mentalidade positiva, quero que as minhas equipas tenham uma mentalidade baseada em ganhar sempre, em casa e fora, que tentem sempre jogar no meio-campo adversário” confidenciou, juntando que “se atacarmos bem, defendemos melhor; se atacamos mal, vamos defender mal”. Numa expressão curiosa, diz que a “bola é que dá a ordem”: “O que tentamos é que os ataques tenham ordem e sequência. Acredito que, quando se ataca de maneira ordenada – e, para mim, é a bola que te dá a ordem -, a equipa estará depois mais organizada para recuperar a bola o mais rápido possível, quando a perder”. Considerando-se uma “pessoa humilde”, Velázquez diz que “importante é ser respeitoso com o trabalho e com os colegas” e gosta de passar muito tempo no clube onde trabalha. No Setúbal chegava “por volta das 7 horas e só saía às 21 horas, apenas fazendo um intervalo para o almoço”. Velázquez, que é um estudioso de línguas, detesta que lhe tentem falar em ‘portunhol’. “Dizem que é para me facilitarem a vida, mas não quero. Estou em Portugal, tenho de falar português!”. Numa eventual perspetiva daquilo que os jogadores maritimistas vão encontrar, o novo treinador verde-rubro confidencia que, quer ganhe quer perca, analisa e revê "os jogos sempre duas vezes, fazendo a análise com os jogadores, a nível individual e a nível coletivo”. “Depois passamos a preparar o jogo seguinte”, acrescenta. “A ferramenta que tento utilizar para que tenha mais sucesso do que insucesso, é falar com os jogadores, convencê-los a partir do conhecimento e não da imposição”. Em termos de grupo, Velázquez anuncia que gosta “da normalidade e da naturalidade, ser honesto com toda a gente, falar na cara, não enganar ninguém”. A partir desta quinta-feira, na véspera de um jogo!, os futebolistas verde-rubros vão ter contacto com o novo técnico.


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