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  • Henrique Correia

Para quando a apresentação de um calendário de reabertura da economia?



Esta é uma questão lançada por um empresário em carta aberta a Miguel Albuquerque. E diz mais: "Não pode continuar a andar por entre os pingos da chuva! Vai ter que molhar-se! Não pode continuar a dizer que queremos turismo e a mudar imagens de marca para obrigar quem nos visita a ficar trancado em hotéis às 18 horas"



Um empresário do setor da animação, em atividade no mercado há 21 anos, também jornalista, não consegue calar a revolta em função da "asfixia financeira", cuja malha aperta a cada dia sem poder trabalhar. Celso Gomes tem vindo a expressar o seu descontentamento, mas agora fá-lo através de uma "carta aberta" ao presidente do Governo Regional, via Facebook, com uma questão essencial: "para quando a apresentação de um calendário de reabertura da Economia?"

O empresário diz que o prolongamento das medidas agudiza o que já está dificil. Noites de animação, casamentos, tudo áreas interditas até agora.

Escreve que "além dos Karaokes, ganho vida animando casamentos. Depois de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho deste ano, e perante o cenário de ainda muita indefinição que o seu governo continua a incutir, os noivos que estavam agendados para julho começam já a desmarcar. Para não falar dos meses seguintes... como sabe, é mais um sector que está “proibido” em virtude daquele recolher que, como defendeu de forma imprudente há uns tempos atrás, diz não ter causado tantos estragos na economia madeirense como muitos apregoam! Mas fez Sr. Presidente. E de que maneira! Fez mossa da grande e irreparável.

Sr. Presidente, pensar sequer que é o layoff que pagam que vai safar o tecido comercial madeirense é, no mínimo, viver em completo transe. E permita dar-lhe apenas como exemplo a situação da pequena empresa para a qual trabalho, que tem como sede tributária Santa Cruz, com pagamento de todos os impostos que sempre nos apareceram, pela frente, mais seguros, contabilidade, IVAs e por aí adiante".

Celso Gomes faz as contas: "Num nível muito por baixo, desde abril de 2020 e abril de 2021 perdemos (e, repito, estou a nivelar por baixo) 40 mil euros. Dinheiro este que jamais será recuperado. E não é pelo mísero layoff que esta empresa recebe que alguma vez você poderá dizer que compensou!

No início da pandemia, de abril a dezembro de 2020, o layoff foi de 455,70 euros. Este dinheiro tinha de dar para pagar um total de 886.72€ de despesas fixas da empresa, nomeadamente, um ordenado mínimo, segurança social e contabilidade, sem esquecer uma quantidade de pagamentos mensais a fornecedores para aquisição de material indispensável ao nosso funcionamento, como instrumentais e programas, seguros de trabalho entre muitos outros.

De janeiro até agora, a história mudou. Passamos a receber 700,20€. Mas, este aumento veio acompanhado de um “prémio”: a segurança social mudou de 11% para 34,75% (penso eu). Ou seja, basta fazer contas para perceber que não dá na mesma"

Diz que "está na altura de apresentar um PLANO DE REABERTURA DA ECONOMIA, já que tanto insiste na tecla de que não tivemos confinamento.

Sr. Presidente, isto é urgente! Com ou sem receios, urge lançar esse plano cá para fora. Urge motivar os agentes económicos. Urge saber quando pode a hotelaria continuar a sorrir e em que moldes. Urge saber para quando os casamentos e em que moldes. Urge saber como vão abrir os bares da noite e em que moldes.

Não pode continuar a andar por entre os pingos da chuva! Vai ter que molhar-se! Não pode continuar a dizer que queremos turismo e a mudar imagens de marca para obrigar quem nos visita a ficar trancado em hotéis às 18 horas. O plano é urgente. Vital. Será que custa assim tanto? Já se faz tarde. Muito tarde!"

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