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  • Henrique Correia

Património do Marítimo sem licenças e apoio de Jardim a Carlos Pereira valeu zero


Foi assim, com desassombro, que Rui Fontes, novo presidente do Marítimo, falou do passado e do futuro do clube. Foi numa entrevista publicada pelo Expresso.




Rui Fontes conseguiu (quase) o impossível: ganhar as eleições no Marítimo, clube que foi governado anos a fio sem oposição, com sucessivas listas únicas. Carlos Pereira ganhou tantas eleições que até lhe pareceu que estas seriam um "passeio". Tinha tudo para renovar, os anos, o património, até tinha Alberto João Jardim do seu lado. Julgava ter trunfos suficientes para "arrumar" com o adversário num "abrir e fechar de olhos". Não foi assim. Será uma das surpresas deste ano de 2021.

O novo presidente, que não só ganhou como também a margem foi folgada, aponta ao jornal Expresso aquilo que considera mal no clube, além da equipa de futebol e da pontuação na I Liga. De resto, um rol para assentar num livrinho: "A sala de troféus do Marítimo está completamente abandonada, o estádio está por acabar e não tem licença camarária, o complexo de Santo António

está com muitas carências. O lar do jogador está em mau estado, não sei como se metem lá jogadores. Este complexo não tem licença. O património existe, mas não

está licenciado ainda. Temos de tratar de tudo isso. E está num estado de abandono. E o Marítimo tem passivo".

Ora bem, o Maritimo tem passivo e um património sem licenças. Rui Fontes diz que não sabe o valor do passivo. As contas de Carlos Pereira vão para auditoria e o novo presidente até pede: "oxalá que não tenham nada". Diz como que explicando que o pedido de auditoria não tem nada de persecutório contra Carlos Pereira. Mas se houver alguma coisa, segue para o campo da reposição da legalidade.

A equipa de futebol está mal, está com 7 pontos em 11 jogos, só ganhou uma vez. E atrás só mesmo o Santa Clara, tem 6 pontos. Fontes mudou de treinador e acredita que o Marítimo vai manter-se na I Liga. E diz que na próxima jornada já a equipa está de volta ao seu estádio com a relva em condições. O objetivo é recuperar. Uma descida é má no campo desportivo, péssima no plano financeiro. Para sobreviver, o clube tem de estar na I Liga, diz o presidente na entrevista ao Expresso.

Falou de Jardim, com quem já trabalhou na política, foi secretário regional com Jardim presidente do Governo. Depois, no futebol, encontraram-se em funções diferentes, Jardim continuava presidente do governo, mas Rui Fontes era presidente do Marítimo. As relações "azedaram" quando Jardim levou a maior vaia da sua história governativa por defender o clube único. Jardim não esquece, não perdoa. Agora, apoiou Carlos Pereira, quem haveria de ser, uma oportunidade de ouro para encostar Rui Fontes. Sem sucesso. Mas Fontes tem uma versão e responde sem pensar duas vezes: "Isso é porque o dr. Alberto João Jardim ficou com a ideia de que fui uma figura da oposição. Como o dr. Alberto João gosta de castigar todas as pessoas que se lhe opõem, pensou que opinando num jornal de uma forma que até tenho dificuldade em classificar, mas muitas vezes baixa e com falta de educação, ia prejudicar a minha campanha. O apoio do dr. Alberto João a Carlos Pereira não valeu nada, é capaz de ter valido 5%. Ficou demonstrado que o dr. Alberto João, eleitoralmente, já não vale nada, mas já valeu muito".



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