Pobreza e ordenados insuficientes não são pontos fortes da nova secretária
- Henrique Correia

- 2 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
A pior coisa que um governante pode dizer é que as pessoas não têm razão quando pedem mais habitação, quando dizem que há pobreza e quando pedem mais rendimentos atendendo ao elevado custo de vida.

Paula Margarido, a nova secretária regional da Inclusão, não tem como pontos fortes a abordagem sobre os níveis de pobreza da Região e os níveis de ordenados aqui praticados. Quer "desconstruir" as estatísticas que colocam a Madeira numa das regiões com maior pobreza. Disse-o há uns meses, ainda não era governante mas já caminhava para isso. Aqui, o "desconstruir" significava mudar os critérios nacionais da avaliação, era como se defendesse uma espécie de critério só para a ilha. Mesmo sem casa, mais dia menos dia quem não tem vai ter, a ilha é pequena. E os pobres sem abrigo só o são pelo álcool e pelas drogas.
O ano passado, Paula Margarido, a secretária regional natural de Pampilhosa da Serra, na altura era deputada na República, questionou a existência de pobreza na Madeira: “Qual é a miséria que há aqui? Tá bem! Temos pobres nas ruas, mendigos, sem dúvida alguma. Mas é miséria de cabeça.”
Desta vez, a secretária "tirou da cartola" uma outra "cartada": "Não há razões de queixa" que justifiquem manifestações de trabalhadores na Madeira, embora considere "natural que os trabalhadores queiram sempre mais e é natural que os empregadores também reivindiquem outras realidades", publicou o DN.
O PS aproveitou o momento, mérito do PS, demérito da recém empossada governante, onde refere que "a secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude e ex-deputada do PSD à Assembleia da República vive completamente alheada da realidade e revela uma profunda ignorância em relação à situação vivida por muitos trabalhadores e famílias madeirenses”. O candidato do PS-Madeira às eleições legislativas nacionais condena o facto de Paula Margarido ter, ontem, referido que “não há razão de reclamação por parte dos trabalhadores madeirenses”. “Como é que quem recebe os esforços médios mais baixos do País não pode ter razões de reclamação?”, questiona Emanuel Câmara, socorrendo-se dos dados estatísticos que mostram que os salários médios mensais na Região são mais baixos do que no resto do País e que os madeirenses recebem menos 94 euros.
Pois bem, todo este episódio, também pelos antecedentes, revela alguma inabilidade de Paula Margarida. Mas uma coisa é não ser hábil como deputada, outra é sê-lo como secretária regional. Percebe-se a inexperiência, mas talvez fosse aconselhável, por ser dos manuais mais elementares, dar uma palavrinha à secretária para futuras incursões por temas tão sensíveis.
Face à realidade atual, face ao nível de saturação dos jovens e das famílias, a pior coisa que um governante pode dizer é que as pessoas não têm razão quando pedem mais habitação, menos pobreza e mais rendimentos atendendo ao elevado custo de vida. As pessoas queixam-se, manifestam-se e isso faz parte da Democracia. O Governo ouve, respeita e faz o seu trabalho sem colocar em causa a legítima reação das pessoas.
A secretária pode dizer o que quiser. Vai assumir é as consequências de querer ser "mais papista do que o Papa".



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