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  • Foto do escritorHenrique Correia

PSD "responsável" pelo "sucesso" de José Manuel Rodrigues



Os presidentes do Parlamento tinham pouco protagonismo, pouca intervenção, eram mais conselheiros, mas quem mandava era o presidente do Governo. E nem os presidentes da Assembleia queriam ter protagonismo que pudesse "beliscar" o Governo.





A negociação de 2019 para a formação do Governo Regional depois de Paulo Cafôfo ter conseguido travar a maioria absoluta do PSD, feito até então inatingível pelo maior partido da oposição, acabou por deixar Miguel Albuquerque com a Assembleia "armadilhada" pelo CDS, o parceiro de coligação. Melhor dizendo, por José Manuel Rodrigues, que bateu mais o pé do que o próprio CDS no sentido de atingir a presidência da Assembleia. Um golpe de "mestre" do jornalista/político, que no fundo conseguiu um lugar que todos diziam, e ainda dizem, que deveria ser do partido mais votado, se bem que na altura um voto valia muito, o de José Manuel Rodrigues valia a governação. Se passasse a independente, podia decidir tudo.

Mas a eleição de José Manuel Rodrigues para liderar o Parlamento trouxe um problema que o PSD nunca pensou. E o problema tinha a ver com a forma como o PSD sempre viu o exercício do cargo de presidente do principal órgão da Autonomia, que na verdade sempre foi o segundo, na prática, atendendo à supremacia dos presidentes do Governo, Jardim com décadas e Albuquerque acabado de chegar mas com a mesma "escola". Os presidentes do Parlamento tinham pouco protagonismo, pouca intervenção, eram mais conselheiros, mas quem mandava era o presidente do Governo. E nem os presidentes da Assembleia queriam ter protagonismo que pudesse "beliscar" o Governo. Por isso, as velocidades ou eram devagar ou paradas.

E nem Albuquerque fez diferente quando escolheu Tranquada Gomes, que segundo fontes bem colocadas, só para descrever um pequeno episódio, até recebeu "ordem" para ficar quieto, em Lisboa, quando interrompeu uma viagem e preparava-se para acompanhar o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa à Madeira aquando do acidente com um autocarro de turismo, no Caniço, que causou a morte a dezenas de pessoas. Como o presidente do Governo estava fora do país e não podia estar presente nos dias seguintes à tragédia, foi dada indicação para Tranquada também não estar presente ficando a representação da Região a cargo de Pedro Calado, que assim acompanhou Marcelo e o Representante da República. Esta situação seria impossível com um presidente da Assembleia que não fosse do PSD, não seria possível com José Manuel Rodrigues, além de tantos outros episódios que foram registados em exercícios de Miguel Mendonça e Nélio Mendonça, menos com Emanuel Rodrigues, que sendo PSD foi o que teve mais atritos com Jardim, sobretudo quando apoiou Eanes em vez de apoiar Soares Carneiro, o então candidato presidencial apoiado pelo PSD e por Jardim.

Como se vê, o facto do presidente da Assembleia ser do PSD só fez com que o cargo fosse desvalorizado pelo próprio PSD. E isso era de tal modo um dado adquirido que quando José Manuel Rodrigues chegou ao cargo deu uma volta ao Parlamento, deu visibilidade, mostrou-se mais, porque também vem trabalhando para a imagem, mas de certo modo "armadilhou" a Assembleia perante o Governo. Não será fácil, a um futuro presidente do Parlamento do PSD depois de José Manuel Rodrigues.

Albuquerque já viu isso, já sentiu isso. E é por isso que tem as "mãos atadas" para escolher outro nome que não seja o que está...

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