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  • Henrique Correia

Quem "tramou" o Lidl no Largo da "Cruz Vermelha"?


Mas é preciso saber, e um dia destes isso vai certamente acontecer, as razões que levaram o Lidl a investir num espaço que todos sabiam que não era para um stand de automóveis ou para a uma loja de roupa.



Lembram-se certamente do filme "Quem tramou Roger Rabbit?", um coelho acusado de um crime que não cometeu e que vai à procura da sua inocência. No caso em abordagem, da instalação do Lidl no Largo da Cruz Vermelha, que recebeu o chumbo da Câmara do Funchal depois do grupo económico ter comprado o quarteirão da Madeira Wine, cabe fazer uma adaptação do título do filme para "Quem tramou o Lidl?" e questionar como é que uma empresa experiente e de dimensão internacional, chega a Madeira, compra um espaço dentro do perímetro central da cidade, envolvendo vários milhões de euros, sem ter feito as avaliações e os contactos que normalmente se fazem nestes casos, para que o projeto tenha viabilidade de instalação atendendo ao PDM ou aos constrangimentos de trânsito que a Autarquia invoca para chumbar, por duas vezes, a pretensão do grupo.

É preciso, antes de mais, dizer que este grupo alemão, internacionalmente implantado, instalou-se em Portugal em 1995, então com 13 lojas. Neste momento, tem cerca de 8200 colaboradores e mais de 260 lojas, de norte a sul do país, e quatro Regionais. Um enquadramento de dimensão e responsabilidade, de garantia de trabalho negocial de extremo profissionalismo, que não se encaixa com esta situação de vinda para a Madeira, com este caso particular, onde se desconhecem todos os contornos que levaram o grupo a avançar para um investimento sem saber, primeiro, se podia construir um hipermercado no Largo Severiano Ferraz, embora tenha já aprovada a instalação de três outras lojas na Região.

Mas o que se terá passado efetivamente? Os responsáveis do Lidl falaram com quem para as devidas avaliações e com o devido conhecimento das permissões do PDM? Se não foi com alguém da Câmara do Funchal, entidade que chumbou o projeto, foi com quem? Do Governo? Ou foi falta de "trabalho de casa" do próprio Lidl? O que, a ser verdade esta última questão, é estranho e grave para um grupo desta dimensão. É preciso que o Lidl diga como falhou e porquê esta avaliação.

Outra atitude estranha é a reação do próprio grupo investidor ao chumbo da Autarquia, dizendo que vai insistir nessa opção e ir ao encontro das pretensões dos políticos, um posicionamento que põe em causa as declarações determinadas, e julgamos que definitivas por serem fundamentadas numa tese de congestionamento da zona, de Pedro Calado, que como se sabe é o presidente da Câmara, não é decisão passível de recurso. O que espera o Lidl? obrigar Calado a "perder a face" depois do chumbo público? Impor a Pedro Calado uma qualquer "cunha" do Governo, mesmo sendo a "cunha" uma situação com raízes na Madeira? Ir ao encontro das pretensões dos políticos? Mas é uma questão formal de PDM ou de pretensão dos políticos? Há aqui qualquer coisa a escapar no processo.

Há dias, a RTP Madeira/Antena 1 Madeira emitiram a posição da administração do Lidl considerando de "grande relevância ter um espaço praticamente no Centro da cidade, permitindo que as pessoas façam compras a pé, sem necessidade de utilizarem o carro". A resposta às questões levantadas por Pedro Calado na reunião camarária é dada por Elena Aladana, diretora de Assuntos Públicos e Comunicações. 

Esta segunda-feira, Pedro Calado voltou a falar sobre o assunto, ao Diário, garantindo que a decisão está tomada e dali não se sai, ainda que afirme ser importante a vinda do Lidl e mostre recetividade da a implantação do grupo na Região.

Mas é preciso saber, e um dia destes isso vai certamente acontecer, as razões que levaram o Lidl a investir num espaço que todos sabiam que não era para um stand de automóveis ou para a uma loja de roupa.




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