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  • Henrique Correia

Rastreio nos Aeroportos "salva" Madeira de uma Covid pior; o problema é mesmo a inconsciência


Enquanto o individualismo saloio for superior ao coletivo reponsável, teremos Covid para dar e durar. É preciso que o povo compreenda que a Covid-19 é um problema de todos





Os números não enganam. A Covid-19 está aumentar, na Madeira e em todo o restante território nacional, onde os indicadores de hoje dão mais 17 mortos e 1949 novos casos. No caso da Região, começam a registar-se situações relacionadas com transmissão local, sendo que ontem o IASAÚDE revelou um caso em contexto escolar, envolvendo um aluno da Escola Bartolomeu Perestrelo, situação que acabou por fazer com que duas turmas estejam em isolamento depois da própria sectretaria da Educação ter avançado, num primeiro comunicado, que foram testados 31 alunos, contactos diretos com esse jovem.

Neste enquadramento, que sofre evolução dia a dia, é importante que se diga, por ser justo no pacote de medidas adotadas pelo Governo Regional ao longo deste processo de combate à pandemia, que o rastreio decidido nos Aeroportos da Região, com testes à chegada dos passageiros que não traziam teste feito nas últimas 72 horas, assumiu-se como prevenção decisiva para que a Madeira possa abordar esta doença de uma outra forma, mais controlada.

A estrutura que foi montada nos aeroportos, designadamente o Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo, pelo movimento que envolve, encerra uma clssificação de decisiva para os resultados obtidos na Região. É preciso reconhecer o que foi efetivamente bem feito. E os testes nos Aeroportos resultou de uma medida bem feita. Além do processo de execução e de divulgação de resultados ser cada vez mais célere e eficaz, na esmagadora maioria dos casos. Os passageiros são aguardados numa primeira triagem de identificação e passam, depois, para um momento em que são "presenteados" com água e banana da Madeira, enquanto aguardam a parte final de feitura do teste. Uma planificação que, na realidade, é única no País e merece ser destacada pelo trabalho exemplar dos profissionais que ali estão, por grupos, há meses. O Governo, neste caso particular, foi assertivo na matéria e talvez terá estancado consequências mais graves se esse rastreio não ocorresse com esta determinação e eficácia.

Os testes nos aeroportos são fundamentais e assim devem continuar, sobretudo agora que os casos vão amentar consideravelmente. Mas há um outro problema que o Governo não pode resolver e que, porventura, estará na origem de alguns casos de transmissão local, sobretudo nesta época em que muitas famílias foram ao continente deixar os filhos no Ensino Superior. Esse problema chama-se inconsciência das pessoas, locais e turistas, não há diferença nessa falta de noção relativamente ao isolamento enquanto não chega o resultasdo do teste.

Não há estatísticas de falta de senso, não há regras para aferir o sentido cívico das pessoas, o entendimento de vida em sociedade, o que não surpreende em função do que se passa quando as pessoas são chamadas a estabelecer convivência com outros, de que a organização em blocos de apartamentos é o exemplo maior da falta de civismo de um povo, infelizmente o nosso, não todo, mas um parte e não muito pequena. Custa dizer isto? Custa. Custa ver isto? Custa. Mas é assim que é, no dia a dia, não queriam que fosse diferente quando o chicoespertismo quer contornar o que é recomendado e muitos dos que fazem testes vão para bares e restaurantes antes de terem conhecimento dos respetivos resultados, apostando na sorte e naquilo que é muito português, de pensar que só acontece aos outros.

É preciso tomar medidas para prevenir, ao máximo, a proliferação da pandemia. Mas é preciso, sobretudo, que o povo compreenda que a Covid-19 é um problema de todos, que pode chegar a todos e que, por isso, só todos podem resolver. Enquanto o individualismo saloio for superior ao coletivo inteligente, teremos Covid para dar e durar.

Refira-se, a propósito dos números da Madeira, relativamente a testes, que no contexto da operação de rastreio de viajantes nos portos e aeroportos da Madeira e do Porto Santo, há a registar um total cumulativo de 86839 colheitas para teste à COVID-19 realizadas (até às 19h00 de hoje); no total, as amostras processadas no laboratório de Patologia Clínica do SESARAM.

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