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  • Henrique Correia

Referenciação dos cancros tem vindo a falhar pelo cancelamento de consultas e redução de exames

Liga Portuguesa Contra o Cancro diz que é importante, tão breve quanto possível, retomar "as consultas e exames de diagnóstico que tiveram uma queda brutal durante este período de pandemia"


A Liga Portuguesa Contra o Cancro veio a público, na sua página oficial, traçar um quadro negro do cancro em Portugal num tempo de pandemia. Aponta números e lança alertas para a necessidade de intervir quanto antes neste domínio. Faltam rastreios, faltam consultas, faltam exames. O resultado não pode ser bom.

A Liga defende que os doentes devem continuar a ir às consultas e tratamentos programados, entretanto parados devido à pandemia da Covid-19. Em traços gerais, fala-se em mil casos de cancro por diagnosticar, precisamente pelo facto de as atenções estarem concentradas na pandemia.

A Liga deixa um alerta ao Governo para "melhorar a estrutura dos Cuidados de Saúde Primários, numa associação aos Privados e setor social". E mostra números preocupantes: 240 cancros de mama podem não ter sido diagnosticados no último ano e quase mil cancros de outros tipos de doença oncológica não foram diagnosticados, consequência da paragem de rastreios na área do cancro da mama, cancro do colo do útero e cancro colorretal, nos últimos meses".

Refere a Liga que "a referenciação da doença oncológica, que tem início habitual nos Cuidados de Saúde Primários (centros de saúde) tem vindo a falhar por via do cancelamento de consultas e, consequentemente, pela redução de exames de diagnóstico que permitem detetar o cancro. “A recuperação na doença oncológica não está a acontecer. Os Hospitais conseguiram retomar nos últimos meses, sobretudo a partir de julho, mas não estão a conseguir recuperar o trabalho perdido. Urge retomar, quanto possível, as consultas e exames de diagnóstico que tiveram uma queda brutal durante este período de pandemia”, afirma o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Rodrigues.

“Se medidas não forem tomadas de forma urgente, vamos continuar a ter atrasos nos diagnósticos e no tratamento de cancro, com diminuição de sobrevivência e morte a médio prazo. O combate ao covid-19 não pode prejudicar todos os outros cuidados de saúde”, reitera o presidente da LPCC, no texto publicado no site da Liga.

Assim, urge retomar, quanto possível, as consultas e exames de diagnóstico que tiveram uma queda brutal durante este período de pandemia.

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