Região pede à República colaboração com o grupo Sousa
- Henrique Correia

- 22 de abr.
- 3 min de leitura
Armazéns de Logística junto à cadeia exigem aprovação de Lisboa e Governo de Albuquerque intercede invocando o "Interesse estratégico para a Região". Para Jardim, era fácil: "Faça-se! E, depois, Lisboa que telefone…"

O grupo Sousa quer construir dois armazéns de logística nas proximidades do Estabelecimento Prisional do Funchal, na Cancela, o que tem implicações de segurança que exigem uma autorização do Governo da República, que tem tutela das cadeias. E o Governo Regional já entrou em ação para interceder a favor do grupo empresarial madeirense, que tem a linha marítima de passageiros para Porto Santo e a gestão dos Portos, onde precisamente a linguística que dispõe tem afastado concorrência, configurando uma condição de monopólio "oficioso".
Mas para já, relativamente a esta intenção de negócio de Luís Miguel Sousa, o antigo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim tem um posicionamento que o caracterizou na sua ação governativa: fazer e perguntar depois. Foi assim com obras, foi assim com medidas e foi assim com a relação na República. Por isso, agora na reforma mas no ativo da opinião, considera "inadmissível que a Autonomia Política ainda passe por ter de pedir licença a
Lisboa para ser instalado um armazém logístico, necessário à Economia da Madeira, só porque perto de um estabelecimento prisiona. Burocracia fascista!
Faça-se! E, depois, Lisboa que telefone…".
Jardim conta um episódio de tempos muito passados, também relacionado com a cadeia: "Quando a “cadeia” era no Parque de St.Catarina, Lisboa nunca resolvia a sua retirada de ali. O Dr. Fernão de Ornelas alugou um prédio nos Viveiros e, numa noite, o Vereador Tenente Cardoso, meu Avô, arranjou carros e Pessoal militares, transferindo os detidos para o novo edifício. No dia seguinte, logo de manhã, as máquinas da Câmara rebentaram com aquilo.
Poucos dias depois, o ministro da Justiça (?), por telefone, ainda cramejava a sua indignação colonialista…"
Recorde-se que, agora, a Região solicitou ao Governo da República e instâncias competentes, a melhor colaboração institucional, "atendendo ao interesse emergente e estratégico de que se reveste para a Região Autónoma da Madeira, a aprovação da construção de uma infraestrutura vital para a Região,
constituída por dois armazéns de logística, mediante um investimento avaliado entre 25 a 30 milhões de euros".
O Governo Regional considera que "é de vital relevância garantir que a Região disponha de uma capacidade de armazenamento e gestão logística de bens alimentares capaz de garantir um regular abastecimento dos supermercados, pelo menos, por 60 dias, de forma a precaver a rutura de stocks e os consequentes efeitos nefastos ao bem-estar da população e à estabilidade económica"
Considera que "o Grupo Sousa é um dos maiores operadores logísticos do país e o maior da Região Autónoma da Madeira e que tomou a decisão de levar por diante um investimento avaliado entre 25 a 30 milhões de euros na construção de uma infraestrutura vital para a Região, constituída por dois armazéns de logística com a área coberta de 18.000 m2, implantado num terreno com uma área total de 39.000 m2".
"A localização apropriada à instalação pretendida encontra-se nas imediações do Estabelecimento
Prisional do Funchal e, face a restrição imposta por essa contingência, o promotor demonstra manifesta disponibilidade absoluta para tomar medidas de mitigação de riscos na sua instalação que possa proteger o interesse de segurança daquele estabelecimento prisional".
Assim, o Conselho do Governo reunido em plenário em 16 de abril de 2026, resolve considerar que o investimento, nos termos expostos, se reveste de "inequívoco interesse regional e solicita ao Governo da República e instâncias competentes, a melhor colaboração institucional na respetiva aprovação, atento o interesse emergente e estratégico de que se reveste para a Região Autónoma da Madeira".



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