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  • Henrique Correia

Rodrigues não "faz de conta" e intervém com "recados" à política e aos políticos



"Precisamos de falar Verdade às pessoas, de só prometer aquilo que se pode cumprir, já que a falta de palavra é um dos motivos que lança mais descrédito sobre os agentes políticos".




Não é nova esta intervenção política que José Manuel Rodrigues "inaugurou" na liderança da Assembleia Regional, o principal órgão da Região e, também agora, um órgão interventivo além da sua função primeira, a de legislar. O Parlamento vive uma nova época, o presidente não é mais uma "figura decorativa", um "yes man" do regime, mas surge agora como um caso à parte de uma espécie de "governação" de palavras, por via de alertas e recomendações. José Manuel Rodrigues olha os problemas da política e dos políticos de frente, objetivamente, apesar de ser agora um entre pares.

"Temos de recuperar a ética e a integridade no exercício de cargos políticos e introduzir uma nova responsabilidade na Política para todos", disse o presidente do Parlamento no discurso do Dia da Assembleia, na sessão comemorativa dos 45 anos. Não se recupera algo que já existe, mas que já exustiu. Assim, com todas as letras, José Manuel Rodrigues trouxe à intervenção, perante Marcelo e os principais políticos madeirenses, um dado novo, o de reconhecer o óbvio, mas ao mesmo tempo o incómodo, para a classe política. Comunicador como é, sabe os efeitos. Como político, sabe os ganhos que uma posição incisiva e direta sobre os problemas pode trazer, na esfera da governação global, mas também eventualmente na dianteira de uma atividade político partidária futura.

Nesta intervenção, disse ainda que se assiste "a um descrédito da política e dos políticos e o vírus da descrença instalou-se nas nossas sociedades. Este é o terreno fértil de onde emergem e crescem os populismos e os extremismos, que progressivamente vão minando a confiança dos cidadãos nas nossas instituições.

Para José Manuel Rodrigues "precisamos de responsabilidade política. Ninguém está acima da lei e o exemplo tem de vir de cima. Não se pode pedir aos cidadãos o cumprimento de deveres, quando alguns políticos são os primeiros a desrespeitá-los. Não se pode exigir aos cidadãos que acatem as leis, quando alguns políticos teimam em não as cumprir!

Mas também temos de combater esta ideia feita de que “os políticos são todos iguais”, não só porque não é verdade, como também por ser bom lembrar que os políticos não são uma casta que se cria por si própria, mas antes uma emanação da nossa sociedade".

Mas foram mais longe os "recados" daquele que, um dia, Jardim chamou de senhor Rodrigues, e que agora está no topo da coligação onde está o partido do Dr. Jardim: "Precisamos de falar Verdade às pessoas, de só prometer aquilo que se pode cumprir, já que a falta de palavra é um dos motivos que lança mais descrédito sobre os agentes políticos.

Temos de ser claros e corajosos: não há dinheiro para fazer tudo aquilo que é necessário, e quando assim é, há que elencar prioridades e estabelecer compromissos".

José Manuel Rodrigues Temos de ter políticas equitativas que reponham a justiça, tratando diferenciadamente aquilo que é desigual. Os igualitarismos e as subsidiodependências, sem olhar a quem se dirigem, são fonte inesgotável de injustiças e de desigualdades.

Precisamos de estabelecer um contrato de confiança entre público, privado e setor social, esbatendo tratamentos discriminatórios, benesses indevidas e mordomias injustificadas, que são razão de muitas querelas sem sentido".



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