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  • Henrique Correia

Saiu a "sorte louca" ao Porto Santo

As pessoas merecem saber tudo o que se passou, mesmo conscientes que haverá muita coisa por explicar relativamente ao percurso dos casos positivos



"Nós tivemos uma sorte louca". Esta frase foi proferida pelo médico Rogério Correia, delegado de Saúde do Porto Santo, ao DN Funchal, a propósito dos três casos positivos registados na ilha, nos últimos dias, resultantes de um foco com origem numa turista que ali passou férias e que depois testou positivo no continente. O médico foi sincero, não é político e por isso não andou com "panos quentes". Foi uma questão de sorte, quase um "milagre", o Porto Santo não ter mais casos. Calhou que essas pessoas identificadas "não passaram pelos aglomerados na ilha, zonas de risco". Podemos dizer que saiu a "sorte louca" ao Porto Santo.

É verdade que no meio de um quadro de tensão, como aquele que a ilha viveu nos últimos dias, sobretudo por trazer, há algum tempo, o rótulo de "ilha verde", justificada pela inexistência de casos e durante largo tempo, a situação acaba por contribuir para que "escapem" alguns desabafos das autoridades de saúde, um certo "respirar de alívio", ainda que não definitivo, sobre a existência de apenas três casos positivos no meio de todos os contactos com a pessoa infetada, testados para avaliação. Três casos, muito para quem não tinha nada, mas pouco para aquilo que poderia ter sido. O médico tinha razão, foi uma sorte, é uma sorte não haver mais. Albuquerque também já disse isso, é político mas mesmo assim teve posição de médico, sem reservas.

O senhor doutor Rogério Correia lá sabe as razões, até porque antes tinha avisado para determinados excessos e ninguém levou a sério. As medidas de proteção iam com a maré, de tal modo levando a crer que a Covid-19 tinha, também ela, ido de férias naquele paraíso, que de facto provoca algum, para não dizer muito, deslumbramento face à beleza, não só de praia, mas do resto que há, envolvendo os visitantes naquela onda de verão que tão bem sabe mesmo em novo normal. Compreensível, mas há Covid-19 e ele "mostrou-se", sem aviso, a tempo de um certo "acordar para o mundo Covid", como disse, em tempos, insistentemente, o secretário da Saúde.

A Covid-19 é uma questão de Saúde Pública e suficientemente grave para justificar todos os parâmetros de prevenção, higiene e segurança que as autoridades definiram na Região. Se é uma questão de sorte, naturalmente que sim, tudo pode ser uma questão de sorte, podemos dizer os lugares comuns que "a sorte procura-se", a "sorte dá muito trabalho" ou "em tudo é preciso sorte", acima de tudo se alguns comportamentos andarem pelo risco e for preciso, mesmo, uma "sorte dos diabos" para evitar males maiores. Pode ter acontecido isso, o médico preferiu um discurso objetivo, não podemos criticá-lo por isso quando todos defendem que as informações devem ser logo comunicadas, com verdade, para que nada fique por saber.

As pessoas merecem saber tudo o que se passou, mesmo conscientes que haverá muita coisa por explicar relativamente ao percurso das pessoas infetadas , como por exemplo onde andaram entretanto, quem contactaram, quantas pessoas poderão ter sido alvo de contacto. Sabe-se alguma coisa, não se sabe tudo.

Mas já não é mau saber que houve muita sorte à mistura com a intervenção das autoridades de saúde, a quem não se deve retirar o mérito do trabalho que estão a desenvolver, mesmo que a comunicação pudesse ter sido mais eficaz.

Oxalá que a Região continue com a situação controlada. Bendita "sorte louca"

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