Santa Cruz alerta: famílias adiantam para os manuais e o governo paga depois

"Este modelo não cumpre a sua função social, na medida em que as famílias, já a braços com uma inflação e taxas de juro galopantes, têm muita dificuldade em acrescentar mais este gasto"

Um comunicado da Câmara de Santa Cruz veio tornar pública a preocupação de famílias que têm feito chegar à Autarquia um procedimento relativamente ao apoio aos manuais escolares: as famílias adiantam os valores e depois recebem.
A nota refere que "a Câmara tem vindo a ser contactada por várias famílias sobre a forma como este ano o Governo Regional fará o apoio aos manuais escolares do primeiro ciclo, obrigando as famílias, de qualquer escalão, a adiantarem a compra e só depois receberem o apoio mediante apresentação das faturas. Um pouco à semelhança do que acontece com as passagens aéreas.
Segundo a governação municipal, do JPP,
"este modelo não cumpre a sua função social, na medida em que as famílias, já a braços com uma inflação e taxas de juro galopantes, têm muita dificuldade em acrescentar mais este gasto aos seus parcos recursos, quer se esteja a falar dos escalões mais baixos, quer da classe média.
Recorde-se que este apoio era dado com a entrega direta de livros por algumas autarquias, inclusive a de Santa Cruz, tendo o Governo Regional chamado a si essa função. Contudo, lamentamos que a solução encontrada não seja a mais justa, nem eficaz, na exata medida em que não desobriga as famílias de mais este gasto em início de ano letivo".
Refere a Câmara que "as famílias que nos contactaram estão bastante apreensivas com mais este gasto com o qual não contavam. Alguns dos pais estão mesmos bastante preocupados, porque com o aumento generalizado dos preços e com o aumento das prestações aos bancos com o crédito a habitação, temem não ter liquidez para fazer face a mais esta obrigação, já que têm de ter disponível as quantias para só depois serem ressarcidos em forma de apoio financeiro pelo Governo Regional".



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