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  • Foto do escritorHenrique Correia

Se é para pedir, que seja agora...



Estamos naquela fase em que "se é para pedir, que seja agora". E quem está no Governo tem vantagem nessas e noutras bebesses, uma vez que está no exercício da governação e dispõe de matéria suficiente para criar, junto do eleitorado, um cenário de presença alargada em todo o lado. Mais ninguém pode juntar o Governo ao partido.





Chegámos à fase da campanha eleitoral, que antes era um período realmente de esclarecimento por parte das forças concorrentes e desde há alguns anos passou a ser um momento de saturação do eleitorado que por esta altura já decidiu em quem vai votar e já não pode ouvir falar em promessas todos os dias com muitas iniciativas para preencher calendário. A campanha não decide nada desde que se começou a fazer pré campanha meses a fio, não serve para nada em termos daquele que será o sentido de voto, a percentagem de indecisos é cada vez menor mesmo que as sondagens digam em contrário, mas tudo faz parte do calendário e é para cumprir. E aí está.

Vendo melhor, não serve para nada não é bem assim, serve para resolver algumas questões pendentes em termos de apoios. E aquilo que não pode ir agora para o JORAM, jornal oficial, vai para um caderno de encargos do próximo governo e para declarações em iniciativas partidárias. Cumprir é outra coisa, muitas promessas ficam pelo caminho, mas nem isso é propriamente uma novidade.

Estamos naquela fase em que "se é para pedir, que seja agora". E quem está no Governo tem vantagem nessas e noutras bebesses, uma vez que está no exercício da governação e dispõe de matéria suficiente para criar, junto do eleitorado, um cenário de presença alargada em todo o lado. Mais ninguém pode juntar o Governo ao partido.

Neste contexto, temos várias situações que, direta ou indiretamente, beneficiam os partidos que são Governo. Beneficiam por estarem no lugar certo para darem benefícios.

Se Rui Alves fala "grosso", Albuquerque reage de "fininho", o que se compreende atendendo ao momento de euforia nacionalista com o regresso à I Liga. São milhares de adeptos, o que significa muito voto, não é altura para manter um "braço de ferro" com o presidente do Nacional que ainda recentemente veio a público "ameaçar" Albuquerque dizendo que a 26 de maio ia ter a resposta pela falta de atualização nos apoios e atrasos nas transferências de verbas. E como se resolve isto a menos de duas semanas das eleições? Fácil, anuncia-se a atualização da lei quadro vigente de apoio ao desporto, insinua-se uma melhoria de montantes porque entretanto houve inflação, e coloca-se Rui Alves em "sentido" reconhecendo a atitude do Governo e do seu presidente Miguel Albuquerque. Pelo menos dessa "ameaça", Albuquerque já se safou a 26 de maio.

Este período é deveras interessante. Não é novo, mas é sempre interessante. Não é ilegal, porque um Governo de gestão pode fazer quase tudo, e não é só este, são todos nestas condições, mas continua sendo interessante para a leitura política. Podemos achar que um governo de gestão deveria cingir-se à governação corrente, pagamento de vencimentos, contas correntes e compromissos agendados para obras em curso, mas nada de nomeações, exonerações e concessão de apoios. Mas mesmo não sendo assim, é interessante na mesma a respetiva leitura.

Certamente por coincidência de período eleitoral, mas constando de decisões anteriores, o JORAM dos últimos dias tem deliberações de apoios no valor de milhares de euros,

Em síntese, e apenas para citar algumas decisões, o Governo autorizou a celebração de um protocolo de desenvolvimento e cooperação cultural

com o Teatro Metaphora - Associação de Amigos das Artes, tendo em vista a

preparação e pintura de um mural, com arte urbana, inserido no 1.º Festival de Arte

Urbana, no município de Câmara de Lobos, em 2024. Para isso, a Associação recebe 7.500 euros; celebração de um protocolo de desenvolvimento e cooperação cultural

com a Associação Cultural e de Solidariedade Social Raquel Lombardi para a realização da 6.ª edição do “Festival Internacional de Guitarras da Madeira”, em 2024, mediante uma comparticipação financeira que não excederá os 5.000,00 €"; celebração de um protocolo de desenvolvimento e cooperação cultural com a Associação Cultural 4litro, tendo em vista a produção e realização de três

espetáculos da peça de teatro "Não consigo ser corrupto", nos municípios de

Machico, Calheta e Porto Santo, em 2024, mediante uma comparticipação financeira

que não excederá os 5.000,00 €.

A Associação de Natação da Madeira recebe 90 mil euros, tendo em vista a execução de um projeto para a organização dos eventos “Porto Santo

Island Open Water Swimming” e “MIUS - Madeira Island Ultra Swim”, a terem lugar

em maio e em setembro respetivamente. Mais 30.575 euros para a Associação Cultural, Desportiva e Recreativa, tendo em vista a execução de um projeto intitulado “Concertos da Flor”; “Da Vinha ao Lagar”; “Gaitada na Baixa”, “EcoSunrise”; “Cine Nature”; “Madeira Hiking Meeting”; “Nature Orienteering”, a ser executado durante a Festa da Flor, Festa do Vinho e Festival da Natureza 2024.

Mas há mais, muito mais...


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