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  • Henrique Correia

Tendências internas do PSD falam em lista fraca e "agradecem" ao PS instável


Internamente, questiona-se sobre esta aposta na "jota" não passar pelo presidente da JSD-M. Patrícia Dantas é uma aposta preventiva. E Sérgio Marques é uma "reserva" para manter "distância". Paulo Neves perdeu relevância junto do líder




A lista de candidatos do PSD Madeira à Assembleia da República está a provocar reações em tendências internas que discordam do presidente do partido de uma escolha estratégica tendo em conta os interesses individuais e não o interesse partidário e, através disso, da Região. Dizem mesmo que, assim, o PSD-M deve agradecer "encarecidamente" ao PS pelo facto de estar em desorganização interna e em crise na liderança, que permite ao PSD-M todos os "tiros nos pés" e mesmo assim ganhar eleições.

A escolha de Sérgio Marques expressa o que Miguel Albuquerque pretende para manter a "distância" e, ao mesmo tempo, garantir que o ex-secretário e ex-deputado europeu não faça 'ondas". Vai em primeiro e com eleição garantida para quatro anos, sendo que internamente perdeu a pouca base de apoio que um dia conseguiu reunir, mas que rapidamente perdeu em função das dificuldades no exercício do cargo de secretário regional.

Fontes ligadas ao partido asseguram que uma outra escolha de Miguel Albuquerque, apresentada como novidade, tem a ver com a intenção do presidente de "proteção" a Patrícia Dantas, a braços com um processo envolvendo fundos europeus, cujo desfecho ainda não é conhecido, mas que a eventualidade de existência da acusação permitiria ir logo para julgamento se não estivesse abrangida por qualquer imunidade. Uma vez eleita para a Assembleia da República, e vai num lugar elegível, está abrangida por imunidade parlamentar, sendo que esta não seria levantada em penas até 3 anos e meio. Goza, obviamente, da presunção de inocência e não foi ainda acusada de nada.

Outra surpresa da lista social democrata prende-se com a relevância que Miguel Albuquerque pretendeu dar à JSD Madeira, sendo que o quarto e o sexto lugares têm candidatos com origem na Juventude Social Democrata, o que aparentemente é uma estratégia "inteligente" de Miguel Albuquerque. O problema é que, internamente, questiona-se esta repentina aposta na JSD-Madeira sem que a primeira escolha fosse aquela mais natural, ou seja o líder da JSD Madeira, Bruno Melim, que foi um apoiante de Paulo Rangel nas últimas internas do partido a nível nacional.

Sabe-se que o nome de Bruno Melim chegou a ser ponderado, mas trata-se de uma figura que não é consensual, sobretudo no âmbito do secretariado, fazendo com que Miguel Albuquerque optasse por Dinis Ramos e Jéssica Faria, nomes desconhecidas do eleitorado, mas lançados num momento que é o ideal para "desconhecidas", além de dar protagonismo à jota.

Surpresa mesmo é a ausência de Paulo Neves, um homem da linha de Miguel Albuquerque, que abriu portas ao líder na componente da diplomacia, mas que tem vi do a perder influência junto de Albuquerque, que agora deixa "cair" um dos elementos da base de apoio aquando da transição interna em 2015.


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