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  • Foto do escritorHenrique Correia

Um caso de estudo a atravessar gerações



O povo vota, a contagem dos votos dá maioria, o PSD governa. E governando, faz a sua estratégia que não é muito diferente do que sempre foi, mudaram apenas alguns "figurantes".





A situação política na Madeira é um histórico caso de estudo que atravessou e continuará a atravessar gerações. Não é um problema da Democracia, não é um problema da falta de debate e de expressão. Mesmo quando no tempo de Alberto João Jardim se falou em défice democrático, nunca foi défice democrático, não obstante o perfil "asfixiante" da liderança jardinista. Mas não era propriamente défice democrático, era excesso de poder, o chamado superavit de poder. Como de resto continua, de forma mais "polida".

E só uma conjugação muito especial de factores, uma fragilidade interna ou de reorganização conjuntural do PSD, a par de um contexto excecional de popularidade e acutilância na oposição, sobretudo no principal partido da oposição, o PS, poderiam desencadear uma alternância política de governação. Como esteve para acontecer em 2019. O PS não "matou" quando podia e essa possibilidade "morreu" com a ajuda do CDS que acabou por viabilizar o PSD no Govermo depois de tantos anos de luta para derrubar Jardim. O resto "morreu" mesmo pelo próprio PS que se desiludiu, não aguentou aquela "embalagem" na oposição e "distraiu-se" com a "delapidação interna", que aliás é recorrente, tão recorrente quanto o poder do PSD. Foi como que "morrer na praia". E agora, é mais difícil com uma liderança com pouca chama. Não estando em causa a pessoa, está o estilo que não é apelativo à mobilização. E a conjuntura, que não é a mesma de 2019.

Não podemos, de forma alguma, responsabilizar o PSD pela falta de alternância. O povo vota, a contagem dos votos dá maioria, o PSD governa. E governando, faz a sua estratégia que não é muito diferente do que sempre foi, mudaram apenas alguns "figurantes".

Mas explica-se facilmente: o Governo é a principal entidade empregadora, apoia associações, clubes, bairros, iniciativas avulso, garante funcionamento e investimento nas casas do povo, nas obras, nos lares, nas bolsas, nas creches, ajuda organizações dos arraiais e de tudo quanto é festa, tem obras públicas que dinamizam as empresas, tem empresas que dinamizam a governação, paga a empresas de jornais para fazer viagens oficiais, apoia esses mesmos jornais com verbas que têm diferentes origens, com quem mantém "cumplicidades" que se justificam com o apoio ao jornalismo de referência num contexto novo de interpretação da palavra referência. O Governo deixou de ter jornais, os jornais é que têm o Governo de diferentes formas e "feitios". E a oposição, para piorar a coisa, é obrigada a fazer combate no "ringue" onde o Governo se sente em casa. E ainda paga por isso.

Posto isto, temos o Chão da Lagoa. Vai o povo, vai quem quer, vai quem quer ser visto, vai quem vai para a fotografia, quem tem função para manter, quem quer uma função, quem ainda espera os "restos" do que resta, mas tirando o povo do Toy, da espetada e da poncha, todos vão com um propósito muito claro: "assim se vê que eu apoio o PSD".

Foi um "mar de gente", um momento de exaltação laranja, de trocas de elogios. Em ano de eleições, foi uma demonstração de força e deve reconhecer-se aquele "mundo". O PSD tem os seus méritos de se manter na governação. Sem qualquer reserva, foi a dimensão do PSD toda junta num arraial como as gentes gostam. E nem os discursos precisaram de brilhantismo, troca de elogios, o inimigo externo, desde sempre, o apelo à umidade. E uma declaração que saltou à vista, de Pedro Calado: primeiro trabalhamos, depois chegamos ao poder. Não deve ser toda a gente, como o próprio Calado bem sabe, há quem tenha feito o percurso ao contrário, chegar ao poder primeiro.

Mas curiosidade à parte, agora querem o quê? Que haja surpresa a 24 de setembro? Só se for na dimensão da vitória. Só com a tal conjugação de factores, não igual à de 2019, mas agora com a possibilidades de uma maior divisão de votos que possa, de algum modo, retirar a maioria absoluta mesmo com a coligação. Pode acontecer, é por isso que Albuquerque está de "pé atrás" e avisa para excessos de confiança. Tem razão, aquele "mundo laranja" pode vencer sem a dimensão absoluta e haver necessidades de recorrer a uma terceira força. Seriam pequenos grandes avanços da oposição em décadas de Autonomia.




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