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Urgências algures entre competência e ligeireza

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 5 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

As mesmas Urgências, o mesmo Hospital, dois atendimentos diferentes, um profundo, outro ligeiro. Para evitar dizer um responsável e profissional, outro irresponsável e negligente. Não vamos por aí.




Um dia destes fiz uma publicação, na minha página do Facebook, relacionada com uma assistência hospitalar, real, verdadeira, no âmbito do Serviço de Urgência, configurando uma ligeireza que os indícios e o diagnóstico à vista, sem uso dos meios fiáveis que, julgo eu, defenderia todos, quem assiste e quem é assistido, podiam dar um resultado mais grave do que poderia se a avaliação fosse mais ponderada.

Escrevi, nessa observação que estaríamos perante "uma urgência a despachar". E foi:

"Um doente foi ao médico, no privado, com um determinado sintoma. O clínico prescreveu análises e exames, sendo que estes só podem ser feitos um mês depois, mesmo pagando bem, por falta de técnicos, dizem. Entretanto, o doente sente-se mal e recorre ao hospital público, espera que se farta, mas isso já é normal. Leva as análises, cujos resultados já estavam na sua posse, pensando que pudesse ser útil na avaliação do médico da Urgência. Finalmente, quando é atendido, o médico pergunta o que sente, diz que não é preciso ver as análises, dá uns comprimidos e al(t)a que se faz tarde.

Claro que nem o Serviço de Saúde nem as Urgência podem ser avaliados por uma atitude e existem excelentes profissionais no serviço público. Mas o que se faz a um profissional destes? O que apetecia fazer, eu sei..."

Pois bem, este caso teve evolução e o doente mandado para casa com comprimidos, por decisão de uma médica, que não vou aqui identificar porque não é o objetivo deste artigo qualquer situação que vise, pessoalmente, quem quer que seja, mas tão somente despertar consciências e refletir sobre o que se faz, como se faz. O passo seguinte foi que o doente foi forçado a voltar ao hospital poucos dias depois, com um quadro mais grave, de tal modo que foi necessário recorrer a internamento. Mas segundo a informação que nos chegou, desta vez com um atendimento de excelência, profissional, com recurso a todos os exames que pudessem conduzir a um diagnóstico adequado, como veio a ser o caso. As mesmas Urgências, o mesmo Hospital, dois atendimentos diferentes, um profundo, outro ligeiro. Para evitar dizer um responsável e profissional, outro irresponsável e negligente. Não vamos por aí.

São coisas do dia a dia no Hospital Dr. Nélio Mendonça. São coisas de todos os hospitais. Mas é importante lançar alertas sempre que possível e com credibilidade correspondente.

Não defendo, nem de perto nem de longe, as críticas gratuitas ao Serviço Regional de Saúde. Mas há que fazê-las quando é preciso. Tem muitas falhas, exige dos profissionais um trabalho, normal e extra, que porventura não estará a ser compensado com as condições ideais para um exercício pleno de uma atividade importante, pode até assumir posições que coloquem em causa os meios para a prestação de um serviço de qualidade, mas é preciso, também, termos a noção que o Serviço de Saúde é feito de pessoas, cujo comportamento acabará por pesar quando formulamos uma opinião sobre o Serviço de Saúde da Região. E tantas vezes fazemos com base num atendimento menos bom ou mau mesmo.

Além disso, o Serviço de Saúde dispõe de excelentes profissionais, nas diferentes áreas, sendo que as Urgências, pelas especificidades, tem um papel muito importante, mas que tendencialmente é desvalorizado no atendimento quando o volume é grande na afluência, o que ocorre com alguma frequência. A rotina, as avaliações em catadupa, retiram discernimento mesmo a quem sabe. O problema é que se trata de doença e de saúde. Não é comparável com nada nas consequências dos erros ou dos comportamentos, admissíveis a partir do momento em que são pessoas, profissionais que também têm direito a dias maus. Mas na saúde, pode ser fatal.

Mas para resolver isto, de forma preventiva e de garantia para os doentes, deveria ser possível a existência de um relatório, previamente definido e de preenchimento tão rápido como uma receita, disponível para o Serviço de Saúde e para o utente, na plataforma do SESARAM/Utente, no sentido da salvaguarda de muitas situações, quer para um lado, quer para outro. Talvez pudéssemos evitar muitas ocorrências com esta ligeireza que a rotina vai fazendo "prosperar".


 
 
 

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