A Relação (com a República) aos ziguezagues
- Henrique Correia

- há 36 minutos
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Uma coisa é a Madeira achar que tem peso com qualquer estratégia e figuras, outra é ter efetivamente. E em Política, essa falha paga-se.

Não está em causa se o presidente do Governo é ou não a solução, a melhor ou mesmo a única, seriam outros quinhentos que nos levariam a uma outra abordagem envolvendo o PSD-M, o comportamento de uma parte considerável do eleitorado e a própria ação estratégica da oposição, se é ou não suficiente para se constituir efetivamente alternativa.
Nem esse é o motivo desta publicação, que pretende incidir, sim, sobre declarações, posições e nuances do exercício governativo e partidário de Miguel Albuquerque, com particular incidência nos últimos tempos em que tem andado num percurso de comunicação entre "a espada e a parede" sem saber muito bem o mal que faz a quem representa a Madeira, no próprio Governo Regional, mas também na Assembleia da República, de que a Mobilidade é exemplo flagrante desta realidade.
Já por diversas vezes aqui expressamos a opinião de que a Madeira tinha e tem dificuldades de comunicação com a República, não tinha nem tem peso político nas mensagens que pretendia e pretende enviar, com sucesso de retorno. Não tem figuras com expressão política nacional que desenvolvam uma espécie de influência institucional, um deputado, um governante, um representante, no limite o próprio presidente do Governo. Um Guilherme Silva da nova vaga. Não é fácil, é hoje mais difícil construir quadros de peso institucional, é um trabalho que se faz com a caraterística que cada um tem e leva tempo para credibilizar. E em tempos de política onde a "fartura" de valores é curta, nota-se mais essa insuficiência.
Na verdade, este tem sido um "calcanhar de Aquiles" da governação de Albuquerque. O outro, por consequência, tem sido o próprio Albuquerque ao deixar arrastar uma distância com os centros de decisão. Falta-lhe um "homem de mão" que vá a Lisboa e tenha peso reconhecido nas instituições. Não há, não se trabalhou nisso, o umbigo como o centro do mundo não chega, não é como mandar à Venezuela, esta questão do relacionamento com o Estado é diferente, exige mais. Uma coisa é a Madeira achar que tem peso com qualquer estratégia e figuras, outra é ter efetivamente. E em Política, essa falha paga-se.
E não foi por acaso que, finalmente, Miguel Albuquerque chegou à conclusão que o relacionamento com a República estava a falhar, e decidiu assentar essa ligação no próprio presidente do Governo, como de resto disse ter ficado definido num encontro recente com Luís Montenegro. Melhor reconhecimento da falha de estratégia era impossível.
Mas Miguel Albuquerque deve fazer uma outra reflexão sobre a orientação de rumo das estratégias que define. É bom que tanto os secretários como os deputados na República tenham a noção exata sobre o rumo e sobre o significado de cada declaração. E de cada decisão. E Albuquerque não dá essa estabilidade, anda com declarações contraditórias de manhã à noite, avanços e recuos sistemáticos relativamente a posicionamentos negociais com a República, umas vezes para "atacar", outras para "calar", e sendo assim fica muito difícil, aos deputados do PSD-M, terem uma posição sem altos e baixos, o que compromete a sua credibilidade, na bancada social democrata e fora dela. Albuquerque não dá estabilidade quando diz que a plataforma vai funcionar bem e depois classifica-a de "cangalha", defendendo que se acabe com ela. Este discurso aos "ziguezagues" não tem ajudado. Nem os deputados percebem nem o povo entende. Não tem efeitos numa eventual próxima reeleição, é capaz de acontecer facilmente, mas é mau na mesma.
Também nunca percebemos bem como é que um Governo Regional que não defende o fim do teto máximo nas viagens, portanto queria um teto estabelecido, como o Governo da República quer, tem representantes na Assembleia da República que votaram o fim desse teto, situação que foi aprovada e está em vigor.
Até ver, pelo menos agora, com Albuquerque na liderança da comunicação com a República, o conteúdo da voz pode ser contraditório, mas a voz será a mesma.



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