A época histórica: CS MARÍTIMO 1976/1977
- Duarte Azevedo
- há 13 horas
- 9 min de leitura
Num momento em que o Marítimo regressa à I Liga do futebol profissional, recordamos alguns momentos da época histórica da primeira subida, em 76/77, feito até então inédito.

O ALERTA DA iniciou, há pouco tempo, uma rubrica relativa à época (mais) histórica do futebol madeirense: 1976/1977. A época na qual o Club Sport Marítimo iria conquistar o direito a estar no principal patamar do futebol português. Feito até então inédito.
Um acompanhamento por aqui feito, recordando as notícias, as reportagens, as crónicas de então. Dia a dia, se for caso disso, semana a semana, jogo a jogo.
Afinal, estamos a lembrar a temporada mais significativa do futebol da Madeira!
CS MARÍTIMO 1976/77 (1): 26 DE JULHO DE 1976, O ARRANQUE DA ÉPOCA EM MACHICO

Foi a 26 de julho que o CS Marítimo arrancou para a época de 1976/1977. Hospedados no Hotel D. Pedro, os verde-rubros cedo deixaram a unidade hoteleira, liderados pelo treinador Pedro Gomes e pelo 'adjunto', o madeirense Agostinho Rodrigues. Técnicos que orientaram um ligeiro aquecimento e, depois, encabeçaram um cross até ao túnel que liga Machico ao Caniçal. No percurso, uma primeira baixa, a de Nelson, nada de grave mas impeditivo do jogador realizar os exercícios físicos levados a cabo no Campo Tristão Vaz, após a corrida referida.
Da parte da tarde os futebolistas voltaram ao trabalho, para mais preparo físico, já com a comparência de Rui Gomes, Calisto e Arnaldo, ausentes da parte da manhã, mas com as faltas de Belarmino e de Nelson.
Os momentos da preparação maritimista foi seguida por vários adeptos, alguns dos quais deslocando-se propositadamente desde o Funchal.
CS MARÍTIMO 1976/77 (2): CONTINUA A PREPARAÇÃO, DE MANHÃ NA PRAIA DE S. ROQUE, À TARDE NO CAMPO TRISTÃO VAZ - BELARMINO PRESENTE A PEDIDO DE PEDRO GOMES

Continua a preparação do CS Marítimo 1976/1977. No segundo dia de trabalhos em Machico, o técnico Pedro Gomes voltou a ministrar dois treinos.
De manhã, o palco foi a praia de S. Roque; à tarde, o Campo Tristão Vaz voltou a ser o terreno para mais uma sessão de preparação física. Nesta, voltou a participar Belarmino, antigo jogador maritimista, acedendo ao pedido expresso de Pedro Gomes. Belarmino vai jogar na AD Machico.
CS MARÍTIMO 1976/77 (3): DO PRIMEIRO TREINO COM BOLA AO DESEJO DE SUBIDA EXPRESSO POR ÓSCAR FERNANDES QUE TAMBÉM ANUNCIA A CONTRATAÇÃO DE HUMBERTO CÂMARA
Mais duas sessões de trabalho em mais um dia do plantel 1976/77 do CS Marítimo, no estágio em Machico. Nelson, recuperado, já participou no treino da manhã, no qual estiveram 20 atletas, para mais um cross com o técnico Pedro Gomes no comando. Calisto, devido aos seus afazeres profissionais na RDP, não participou, deslocando-se ao Funchal, tal como Rui Gomes, também por motivos profissionais.
Da parte da tarde já ambos estiveram presentes e a bola apareceu pela primeira vez, com os jogadores divididos em dois grupos que executaram uma 'pelada' no 'Tristão Vaz'. Jaime, que se encontra à experiência, denotou ter bom toque de bola.
Isto num dia em que o Dr. Óscar Fernandes - na foto -, Vice-presidente para o Desporto Não-Amador do CS Marítimo, concedeu uma entrevista ao DN onde foi bem claro: "O Marítimo prepara-se para jogar todos os seus trunfos a fim de alcançar a I Divisão". A propósito da aquisição do unionista Humberto, Óscar Fernandes revela: "Está realmente bem encaminhada a transferência do Humberto [Câmara] para o Marítimo. É um jogador a quem reconhecemos qualidades, não será para de imediato entrar na primeira equipa, até porque vem do futebol regional e é muito jovem, mas deverá ser o único futebolista recrutado na Madeira".
CS MARÍTIMO 1976/77 (4): TREINO NO CAMPO DE GOLFE DO SANTO DA SERRA E PRESENÇA DA RTP NO 'TRISTÃO VAZ'

O CS Marítimo continua a preparar a temporada de 1976/77, com estágio em Machico. Depois dos primeiros dias terem sido na localidade machiquense, o técnico Pedro Gomes levou, ao quarto dia, os seus pupilos até ao Santo da Serra. Para mais um trabalho físico que decorreu no Campo de Golfe, aproveitando o 'ar puro', numa sessão a que faltou Rui Gomes, devido a afazeres profissionais.
De tarde, já com Rui Gomes integrado, o treino decorreu no Campo Tristão Vaz, com a presença constante da bola, antes de uma 'pelada'.
De salientar que este treino vespertino registou a reportagem de uma equipa da RTP.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (5): 'CROSS' DE 18 QUILÓMETROS NA SESSÃO MATINAL ACONTECIDA NO SANTO DA SERRA
Penúltimo dia de estágio do CS Marítimo em Machico, numa época (1976/77) em que o objetivo centra-se na subida à I Divisão.
Como sempre, Pedro Gomes obrigou os seus pupilos a trabalho forte, iniciado com exercícios diversos e que foi concluído, na sessão da manhã, com um 'cross' de 18 quilómetros, percorridos no Campo de Golfe do Santo da Serra.
No treino da tarde, no Campo Tristão Vaz, o técnico colocou três jogadores - Tininho, Calisto e Chico - a cruzarem o esférico para a frente da baliza, ocupada, à vez, pelos três guarda-redes presentes. A finalização era feita pelos restantes futebolistas presentes, destacando-se os avançados Nelson e Arnaldo, nomeadamente com os seus certeiros cabeceamentos.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (6): ESTÁGIO EM MACHICO DEIXOU TÉCNICO PEDRO GOMES SATISFEITO
O CS Marítimo concluiu um estágio de uma semana em Machico, onde ficou hospedado no Hotel D. Pedro, tendo dividido o trabalho pelo Campo Tristão Vaz, pela estrada e pelo Campo de Golfe do Santo da Serra.
O técnico Pedro Gomes, que vai procurar levar os verde-rubros à I Divisão, mostra-se satisfeito com aquilo que até agora foi realizado. "Tudo tem decorrido em pleno até porque tudo estava programado e nada foi realizado ao acaso", expressou, a modos de balanço, revelando que "os atletas estão mentalizados para o cumprimento dos seus deveres, não podendo descurar nada do que lhes compete, cujos benefícios para todos virão forçosamente por acréscimo".
CS MARÍTIMO 1976/1977 (7): EDUARDINHO ELOGIA TÉCNICO - "A MAIORIA DOS CLUBES NÃO TEM O EXCELENTE PROGRAMA QUE PEDRO GOMES NOS VEM PROPORCIONANDO"

Depois de um período naturalmente difícil devido à morte do pai, Eduardinho teve uns dias de descanso no Porto da Cruz antes de iniciar a preparação incluído no plantel do CS Marítimo. Nesse tempo de descanso, e com a devida autorização da Direção Geral dos Desportos, Eduardinho orientou, durante cerca de 20 dias, dezenas de rapazes entre os 8 e os 18 anos, exercitando-os na prática do mini-futebol e do voleibol.
Mas de volta ao plantel maritimista, Eduardinho não regateou elogios ao trabalho até agora desenvolvido: "Um treinador [Pedro Gomes], um adjunto [Agostinho Rodrigues], um massagista vindo expressamente do continente [Lonel], um roupeiro, instalações magnificas... Trabalho dentro do previsto, fizemos o teste de Cooper, o teste de Rufier... Não acredito que haja muitos clubes com estas condições dentro de um programa elaborado por mister Pedro Gomes". Eduardinho não esconde que inicialmente "houve um certo descontentamente pela preparação mas, garanto, à medida que o tempo decorria o mesmo foi desaparecendo e todos reconhecem que o esforço realizado é motivo de satisfação dado o progresso adquirido".
CS MARÍTIMO 1976/1977 (8): CONVOCATÓRIA PARA ARRANQUE DA ÉPOCA FEITA POR ANÚNCIO NOS JORNAIS

O CS Marítimo deu início à preparação da época 1976/1977 com um estágio em Machico, como por aqui lembramos, dia a dia.
O mais curioso, porém, é que a convocatória para o arranque da temporada foi feita por anuncio de jornal - no Diario de Notícias e no Jornal da Madeira.
A constar assim: 'Por este meio se lembra aos atletas seniores de Futebol do C. S. Marítimo...' - como se vê abaixo.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (9): PRESIDENTE MIGUEL MENDONÇA APONTA 'PARA A I DIVISÃO' E NÃO VAI TOLERAR 'INDISCIPLINA E VÍCIOS'
O presidente do CS Marítimo, José Miguel Medonça, reuniu o plantel para a época 1976/1977 e foi bem claro: 'O objetivo é a Primeira Divisão!'.
O líder verde-rubro, virando-se para os atletas, lembrou que 'encargos e responsabilidades serão incompatíveis com atos menos regrados e com indisciplinas' por parte deste ou daquele atleta. Miguel Mendonça alertou, ainda, para a necessidade de 'um autocontrole porque vícios, de toda a espécie, não acontecem por acaso' O presidente prometeu que 'se irá trabalhar no duro, de mangas arregaçadas, pondo de parte todo e qualquer vedetismo e tudo norteado por uma inquebrável disciplina, matéria em que a Direção será intransigente'. 'Quem não se sentir disposto a entrar num tipo de vida decente será melhor desistir', concluiu.
Falaram, ainda, Óscar Fernandes, Diretor para o Futebol - 'Entramos num investimento económico muito grande' - , Adelino Rodrigues, Chefe do Departamento de Futebol, Pedro Gomes, treinador, e Dr. Florêncio de Aguiar, Chefe do Departamento Clínico.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (10): PRESIDENTE MIGUEL MENDONÇA COM RESPOSTA CONTENDENTE AO SL BENFICA POR CAUSA DA CONTRATAÇÃO DE EDUARDO LUÍS
Depois de ter estado na temporada de 1974/75 ao serviço do CS Marítimo por empréstimo do SL Benfica, Eduardo Luís voltou ao Benfica para jogar pouco na equipa comandada por Mário Wilson mas brilhando no final da época na Seleção de Portugal de Esperanças. Até que o CS Marítimo chegou a acordo com o jogador para regressar à Madeira, tendo o defesa-central assinado contrato por três temporadas.
Uma situação que levou Romão Martins, chefe do Departamento de Futebol do SL Benfica, em entrevista a 'A Bola', a acusar que o atleta 'fugiu'. "O Eduardo Luís tem enorme potencial pelo que o Benfica pediu que apresentasse uma proposta para renovarmos o contrato. Ficou de pensar e mais tarde dizer qualquer coisa quando foi nosso espanto que vimos nos jornais que o jogador tinha assinado pelo Marítimo", disse Romão Martins que mostrou mágoa "pelo procedimento do jogador e do próprio Maríitmo". "Só mais tarde é que o jogador enviou uma carta ao Benfica justificando que a sua esposa é madeirense e está grávida", acrescentou o dirigente benfiquista.
O Presidente do CS Marítimo, José Miguel Mendonça, em comunicado que se pode ler junto, contestou as declarações do benfiquista, revelando que o Marítimo, "em Abril", junto do próprio Romão Martins, manifestou desejo de contratar Eduardo Luís "e um guarda-redes, Álvaro ou Fidalgo". "E Eduardo Luís optou pelo Marítimo", conta o dirigente.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (11): JAIME CONTRATADO AO ALVERCA
O CS Marítimo contratou Jaime. Um centrocampista continental que teve destaque no Alverca.
Jaime vinha treinando à experiêcia sob o olhar atento do técnico Pedro Gomes.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (12): EMPATE COM O CF UNIÃO NO JOGO DA TRANSFERÊNCIA DE HUMBERTO

O CS Marítimo chegou a acordo com o CF União para a aquisição do médio azul-amarelo Humberto Câmara. Nesse acordo constou um jogo entre as duas equipas, com receita para os unionistas, disputado no Campo do Liceu e que serviu, também, para apresentação dos verde-rubros aos seus adeptos. Agora com o regressado Pedro Gomes no comando técnico, tendo por objetivo a subida à I Divisão.
Neste jogo, Humberto - na imagem - ainda alinhou nos unionistas, apesar de já estar a treinar nos verde-rubros. Uma partida que não deixou entusiasmados os maritimistas, não apenas pelo resultado - empate e 1 golo - mas pelo (pouco) futebol apresentado.
Com arbitragem de Albino Rodrigues, alinharam:
CS MARÍTIMO - Amaral (Porfírio); Fernando, Bira, Arnaldo e Rui Gomes; Ângelo, Jaime (Calisto) e Eduardinho (Olavo); Tininho (Chico), Norberto (Emanuel Silva) e Noémio;
CF UNIÃO - J. Luís; João Carlos, Hilário, Gomes e Barros (Ludgero); Teixeira (Necas), Humberto, Albino e Rui Sousa (Ascensão); Rui Alberto (Carlos) e Ludgero.
Golos - Noémio (70) e Albino (81).
CS MARÍTIMO 1976/1977 (13): GUARDA-REDES AMARAL CONTRATADO - DO BENFICA À MADEIRA PASSANDO POR SINTRA

Uma das contratações do Marítimo 76/77 para atacar a subida de Divisão, é a do guarda-redes Amaral. Um jovem de 21 anos, tido com um estilo 'de Costa Pereira' - segundo o Record -, que fez parte de uma boa equipa de juniores do SL Benfica e, entretanto, representou o SU Sintrense. Ainda estudante, a vinda para a Madeira representará a primeira experiência no futebol profissional, deixando a casa dos pais, em Cascais.
Depois das 'escolas' do Benfica sob o comando de Ângelo Martins e ter sido cedido ao Sintrense, Amaral não esconde que 'jogar na Madeira é uma promoção para mim'. 'O treinador Pedro Gomes foi-me apresentado há dias e gostei imenso de falar com ele, gostei de saber que vamos trabalhar no duro, com treinos de manhã e de tarde', informou o guardião que reconheceu que o contrato 'com o Marítimo é muito vantajoso para mim, melhor mesmo daqueles que tinha com o Sintrense'. O pai de Amaral é que não gostou da mudança. Conta o jogador: 'O meu pai tem a sua vida e gostaria de ter-me sempre junto dele. E quando soube que eu estava em negociações com o Marítimo procurou a direção do Sintrense a expor a questão e se o Sintrense tivesse arranjado um bom emprego compatível com a minha vida de futebolista, era caso para pensar duas vezes'.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (14): BIRA CONTRATADO DEPOIS DE TER BRILHAR NO GD ESTORIL - 'CENTRAL' VAI RECEBER 18 CONTOS POR MÊS

Época 1976/1977 preparada para lutar pela subida à I Divisão, o plantel verde-rubro foi ganhando forma mediante essa ideia. E entre as aquisições está Ubirajara Camilo de Sousa, mais conhecido por Bira, natural do Recife (Brasil), tendo atuado no Náutico e no América antes de vir para Portugal jogar no Estoril. Três anos depois, com 27 de idade, muda-se para a Madeira.
"Vim do Brasil para jogar na III Divisão mas não me importou, e a verdade é que deu certo: em três anos chegamos à I Divisão", historia o 'central' brasileiro que espera repetir o feito de subida ao principal escalão do futebol português ao serviço do Marítimo. "Estou confiante que assim será", transmitiu o jogador que confidenciou ir ganhar "18 contos por mês fora os prémios normais".



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