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Albuquerque "entre a espada e a parede"

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 15 horas
  • 3 min de leitura


As grandes posições acutilantes e perspicazes têm surgido de militantes do PSD-M que neste momento não pertencem ao núcleo duro de Albuquerque.




Miguel Albuquerque tem vários desafios pela frente relativamente ao contencioso com a República. Tem outros desafios, mas este, em particular, revela um elevado grau de dificuldade, sobretudo porque o presidente do Governo Regional e do PSD-M quer mostrar pulso e determinação na Região, mas não quer romper de vez com a direção nacional do partido, muito menos com o Governo, curiosamente uma dificuldade inesperada se tivermos em conta que se trata de um governo da mesma cor política, mas que tem evidenciado um comportamento ostensivo e de subvalorização das Autonomias.

E sente-se a dificuldade que Albuquerque tem em gerir essa situação. Nunca foi tão difícil, uma vez que o líder social democrata madeirense fala "grosso" para consumo interno, ameaça a direção nacional com vários "ses", mas tem vindo a evidenciar cautelas para não extremar posições que, no seu entender, possam dar mais prejuízo do que "lucro". Tem sido cauteloso, admite não aceitar cargos nacionais se não forem desbloqueados os assuntos pendentes, mas a verdade é que, no fundo, Albuquerque sabe que este Governo da República não tem a menor das preocupações com a Madeira e não é de crer que isso seja alterado antes do Congresso nacional do PSD. O que fará Albuquerque se assim for? Aceita metade, um quarto das soluções?

Por contraponto, esta decisão muito pensada de Albuquerque, tem vários dossiers pendentes, desde logo a Mobilidade, a Revisão da Lei de Finanças, o programa Estudante Insular, entre outros, contrasta com a atitude do próprio primeiro-ministro e dos seus "fiéis faladores" que não têm demonstrado nem arte nem elevação política nas declarações proferidas, inclusive aproveitando a sua condição de convidados para apontar o que dizem ser irresponsabilidades autonómicas, como aconteceu, diversas vezes, com o ministro Leitão Amaro e com o líder parlamentar Hugo Soares. Estes têm dito o que Montenegro não pode dizer para manter a aparência institucional. É preciso que alguém faça o mesmo relativamente a Miguel Albuquerque, para dizer o que este não pode, também por razões de aparência institucional. O combate político faz-se neste campo, é para lá que o PSD-M deve fazer frente.

O grande problema do PSD-M é que não tem estratégia para estas situações. Nem homens com esse perfil em quem Albuquerque queira confiar. E, diga-se, por ser verdade, Miguel Albuquerque não deixa crescer qualquer número dois e depois vem dizer que um dia, quando sair, só vai revelar em cima da decisão para não criar "guerras" de sucessão. Mas se nunca deixar aparecer os sucessores, nunca vai poder pacificar uma coisa inexistente. Será "obrigado" a ficar em nome da "paz" partidária. Ou mesmo em nome da "paz podre". Como está, são mais 50.

Seja como for, até ver, será preciso travar esta "luta". E para dizer a verdade, será por certo para refletir, as grandes posições acutilantes e perspicazes têm surgido de militantes do PSD-M que neste momento não pertencem ao núcleo duro de Albuquerque. Mas que têm apontado caminhos que porventura seriam mais valia do ponto de vista da afirmação das Autonomias perante posições, mas sobretudo declarações, que no mínimo demonstram uma visão de desvalorização Regional no quadro da integração nacional, quer do ponto de vista partidário, quer do ponto de vista de Governos.

A Madeira não pode manter esta voz titubeante, umas vezes dura, outras vezes silenciosa, ao sabor de decisões da República, uma espécie de "doces" quando a realidade amarga, como aconteceu recentemente com a criação de mais um grupo de trabalho para a Revisão da Lei de Finanças Regionais. E ainda se agradece a decisão que, no fundo, não resolve nada e vai debater o que está debatido até à exaustão.

Miguel Albuquerque está, sem dúvida, "entre a espada e a parede". Ou empurra ou vai ser empurrado.


 
 
 

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