Albuquerque pensou remodelar o Governo mas levou "negas"

Presidente com o foco em manter o lugar, sem "pachorra" para o partido, só o essencial, está a criar dificuldades de recrutamento. Turismo, Finanças e Inclusão entre os visados.

O presidente do Governo Regional vem negando a possibilidade de remodelação governanental, já o fez por duas vezes nas últimas semanas quando confrontado pelos jornalistas. Diz que os secretários estão seguros e que não está a pensar em alterações. O que se compreende, mesmo que pensasse nunca ia admitir publicamente.
A verdade é que diversas "fontes", seguras, próximas do Governo e do PSD-M, garantem que Miguel Albuquerque ponderou mesmo proceder a uma remodelação, dizem que nesse contexto estariam na "corda bamba" o Turismo, a Inclusão e as Finanças, mas talvez até fosse mais abrangente, uma vez que o presidente considera que a prestação de alguns governantes está aquém do que esperava.
O problema é que Miguel Albuquerque pensou nessa remodelação, pensou em pessoas, mas debateu-se com um problema que talvez não estivesse à espera: recusas. De facto, o líder do Governo e do PSD-M já tinha enfrentado algumas dificuldades na formação do atual Governo, sendo que agora verificou que a realidade está bem mais complicada. E isso terá "travado" um pouco a prevista remodelação, pelo menos o tempo dessa remodelação.
As mesmas "fontes" asseguram que o presidente tem dois problemas neste recrutamento, um que se prende com a falta de incentivo da vida pública por comparação com o mercado privado, outro que tem a ver com o próprio Albuquerque, que por vezes extravasa atitudes para as quais é preciso ter estofo para "suportar". Nem todos aceitam alguma forma de ser do presidente e, por isso, certas recusas têm esse enquadramento, que obviamente os atuais governantes já conhecem de sobra.
A verdade é que o ambiente político partidário está longe de ser pacífico. E se relativamente a números, o cenário apresentado é de "paraíso" na terra, com crescimento há 65 meses, desemprego residual, casas para todos, casas públicas, nada de dizer sociais, gasolina com a média inferior ao Continente, como se mesmo caro fosse um consolo, entre outras mensagens de grande prosperidade, há depois a relação interpares, onde Albuquerque sente a maior dificuldade, em bom madeirense não tem "pachorra" para o partido, e isso leva a que o atual PSD-M seja, para o líder, um mero instrumento que utiliza quando são necessárias formalidades do politicamente correto. De resto, dizem algumas "fontes" laranja, está mais preocupado com a sua sobrevivência política, e aí tem vindo a bebeficiar da sua persistência, da conjuntura, e do CDS, que nunca conseguiu tanto com tão pouca representatividade parlamentar.
As mesmas fontes dizem que o foco de Albuquerque incide muito na permanência no cargo, nos projetos que tem em mãos, designadamente no Porto Santo, onde tem ido com frequência nos últimos tempos, em função das obras de requalificação, já concluídas, da sua casa adquirida por herança, mas também no processo judicial, que parece parado mas pode estar a andar.
Um dos últimos episódios preocupantes, para o PSD-M, prende-se com as declarações de Pedro Calado, interrogando-se sobre para onde vai a riqueza da Madeira, e a resposta de Albuquerque a dizer que não ia nos palpites de Calado.
Pois bem, são muitos os que acham que Pedro Calado, a braços com um processo judicial (que poderá ter andamento até final do ano), não deveria ter assumido o espaço de comentador, no caso na TSF Madeira, onde está sujeito a diferentes interpretações que podem prejudicar o partido, no entender de alguns militantes. Apesar da relação Albuquerque/Calado continuar igual. Calado disse o que disse e entende que, para o exterior, Albuquerque tinha de reagir. Os dois terão mesmo falado sobre o assunto.



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