Albuquerque "reabilita" Calado: toda a gente tem processos na Justiça
- Henrique Correia

- há 53 minutos
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Enquanto se aguardam desenvolvimentos do processo envolvendo Pedro Calado, a Comissão Política passou a ter os eventuais candidatos de Albuquerque no PSD-M.

Miguel Albuquerque usou uma "força de expressão" para explicar a chamada de Pedro Calado à Comissão Política Regional do PSD-M. Tem processos em tribunal? "Hoje, toda a gente tem processos", reage o presidente do Governo e do PSD-M quando confrontado com a pergunta de um jornalista.
Este toda a gente é "como quem diz". Muita gente seria mais prudente para evitar o exagero e a tentativa de banalizar o facto de Pedro Calado ter sido chamado a meio de um processo que talvez nem a meio vai. Um exagero, tão exagero quanto a prisão de 21 dias, a Pedro Calado, enquanto aguardava para ser ouvido pelo juiz de instrução, que decidiu libertar o então presidente da Câmara do Funchal, na altura detido juntamente com os empresários Avelino Farinha e Custódio Correia no âmbito de um processo sobre suspeitas de corrupção, favorecimento, de vantagem em negócio e de irregularidades de concursos públicos, processo que ainda decorre sem avanços conhecidos.
Pedro Calado acabou por sair da Política, o processo não evoluiu mas Miguel Albuquerque achou que era tempo de "reabilitar" o antigo governante e autarca, com a inclusão na Comissão Política Regional do PSD-M, que vai a votos brevemente.
Albuquerque revelou, à RTP-M, nunca ter afirmado que Calado estava inibido de exercer um cargo político e que esta chamada tem a ver com o facto de ser um importante quadro do PSD. E quando os jornalistas o questionaram sobre os processos, o líder social democrata respondeu: "Toda a gente, hoje, acho que tem processos a decorrer na Justiça. Vamos perguntar quem é que hoje não tem processos a decorrer na Justiça".
Já sobre se é uma aposta segura, Miguel Albuquerque reage assim: "Não sei se é uma aposta segura, é a minha aposta, sempre foi um quadro importante no PSD, entre outros, não é o único. É uma pessoa habilitada, com grande capacidade política e está aqui para dar um contributo ao PSD".
Na verdade, garantem "fontes" por nós contactadas, Miguel Albuquerque tem vindo a confrontar-se com a inexistência de quadros de topo que possam assumir a liderança de desafios que o partido vem enfrentando. E já por duas vezes sentiu necessidade de "descapitalizar" o Governo para um dos objetivos autárquicos, o Funchal, primeiro com Rubina Leal, depois com Pedro Calado e depois com Jorge Carvalho, estas duas situações com a vitória camarária, mas todas elas com custos no Governo, onde neste momento apenas dispõe de um quadro que se assume como número dois, Eduardo Jesus, mas que internamento, no PSD-M, não é uma alternativa pacífica. Ou seja, para as estruturas do PSD, o secretário regional do Turismo só é alternativa para Albuquerque.
Curiosamente, nas crises recentes de liderança do PSD-M, que chegaram a pôr em causa a continuidade de Miguel Albuquerque e sugeriam uma transição interna com indicação de alternativa transitória ou definitiva, as realidades que foram acompanhadas tanto pelo líder nacional social democrata como pelo próprio Presidente da República, apontavam os nomes de Eduardo Jesus e de Jorge Carvalho, que foram colocados em cima da mesa, sendo que ao contrário do que era previsível, o atual secretário do Turismo até estaria como primeira opção, sendo estranho pelo facto de Jorge Carvalho até ser, à época, o secretário regional de Albuquerque desde a primeira hora e ser o número dois do Governo.
Com a entrada de Pedro Calado na equação, e atendendo ao comportamento do eleitorado, pouco disponível para penalizar quem a Justiça aponta o dedo mas não tem capacidade de concretizar, o cenário muda de figura e certamente Miguel Albuquerque acredita que, tal como aconteceu com a sua reeleição, os votos vão para o PSD-M mesmo com processos judiciais no horizonte. E a banalização de processos, reforçada com prisões de 21 dias sem que as medidas de coação tenham correspondência com o tempo de detenção, além do arrastar do processo pelas fragilidades da Justiça, numa luta interna entre a investigação de um órgão e a descredibilização dessa investigação por outro órgão, oferece, no seu conjunto, um clima favorável a que ocorra a "reabilitação" política no pressuposto que a Justiça será mais lenta e ineficaz do que uma disputa eleitoral. E Albuquerque acredita na insustentabilidade das investigações e naquilo que tem sido a prática dos processos judiciais na Política.
Por tudo isto, e para todos os efeitos, até eventuais desenvolvimentos, Albuquerque tem os três potenciais "candidatos" na Comissão Política, Eduardo Jesus, Jorge Carvalho e Pedro Calado. E não pensa, para já, em renovações, apesar da JSD-M "acenar" com capacidade, mas sem correspondência com a oportunidade.



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